Surto de Covid em cruzeiro turístico mesmo com a maioria vacinada?
A doença afetou o maior navio de cruzeiros do planeta e o assunto se tornou tema de postagens em grupos antivacina
MonitoR7|Do R7

"Surto de Covid-19 no maior navio de cruzeiros do mundo: 98% dos infectados foram totalmente vacinados." Esse é o título de uma mensagem com pelo menos sete mil visualizações em apenas um grupo de um aplicativo.
Na sequência da mensagem, vem uma frase entre parênteses: "E aí, adianta a vacina? Adianta para quem? Vão vendo?". O grupo em que identificamos essa mensagem é dedicado a contestar a necessidade e a eficácia das vacinas contra a Covid, além da exigência do comprovante de vacinação.
A notícia, de fato, é verdadeira e tem sido veiculada em órgãos de imprensa de todo o mundo. O Symphony of the Seas, o maior navio de cruzeiros turísticos do mundo, partiu no dia 11 último de Miami para uma viagem pelos portos caribenhos de St. Maarten e St. Thomas, além da ilha privativa da Royal Caribbean, chamada CocoCay. Mais de seis mil pessoas estavam a bordo, entre passageiros e tripulantes.
A Royal Caribbean, dona da embarcação, informou que, durante a viagem, foram confirmados 48 casos de pessoas contaminadas com Covid-19, o equivalente a 0,78% das pessoas que estavam no navio durante aquele cruzeiro.
Seis dessas pessoas desembarcaram antes do fim da viagem e os demais infectados desembarcaram em 18 de dezembro, no fim do cruzeiro. Segundo a empresa, 95% dos que participaram da viagem tinham o ciclo vacinal completo.
Um caso similar ocorreu recentemente no navio Odyssey of the Seas, da mesma empresa, com 55 contaminados, entre passageiros e tripulantes, todos totalmente vacinados, o equivalente a 1,1% dos viajantes.
Portanto, esses casos seriam uma prova da ineficácia das vacinas? Talvez um bom termo de comparação seja uma situação bastante semelhante, registrada no navio Diamond Princess no começo da pandemia, quando não havia vacinas disponíveis.
Naquele cruzeiro, com 3.700 ocupantes (2.300 menos que no Symphony of the Seas), foram registradas 712 pessoas contaminadas e 13 mortes pela doença. O navio ficou em quarentena no porto de Yokohama, no Japão, entre 4 de fevereiro e 1º de março de 2020.
Agora, todos os 48 contaminados no Symphony of the Seas, segundo a Royal Caribbean, eram "assintomáticos ou levemente sintomáticos". O navio seguiu viagem conforme programado inicialmente, com o monitoramento contínuo da saúde das pessoas infectadas. No fim, todos desembarcaram normalmente.
O contraste entre os procedimentos mostra a diferença que faz a vacinação. As vacinas não garantem a imunidade individual absoluta, mas a imunização coletiva ajuda na queda do registro de casos graves e mortes, como já explicado por especialistas aqui, no MonitoR7.
A Associação Internacional de Linhas de Cruzeiros (Clia), que representa as principais empresas do setor no mundo, afirma que os cruzeiros adotam medidas rigorosas contra a pandemia, como "teste diário de 10% da tripulação e dos passageiros, além de testes pré-embarque". E, em nota ao MonitoR7, mostrou-se disposta a ajustar os procedimentos de segurança se necessário para manter a operação normal e segura dos navios.






