Logo R7.com
RecordPlus
Notícias R7 – Brasil, mundo, saúde, política, empregos e mais

'Não sei o que vai acontecer', diz criador de rolezinho no JK Iguatemi

Músico afirma que chamou os amigos e se surpreendeu com a repercussão de sua convocação

|Bárbara Garcia, do R7

  • Google News
Rolezinho em São Paulo
Rolezinho em São Paulo

Um das convocações para o rolezionho no JK Iguatemi foi feita pelo músico Daltson Takeuti, de 55 anos. Ele diz que nunca participou de eventos do tipo. Ao saber que, na semana passada, o centro de compras restringiu a entrada de jovens, resolveu protestar. Mas se surpreendeu com a repercussão de seu post.

Confira abaixo entrevista do músico ao R7:


Você espera que seu evento tivesse toda essa adesão?

Para dizer verdade, não. Eu acompanhei pela mídia o que aconteceu no Shopping Itaquera. Depois eu vi que o JK conseguiu uma liminar para impedir o pessoal de entrar. Por isso resolvi fazer esse evento. Só convidei meus amigos, Muita gente começou a entrar (confirmar presença) e virilizou.


O que você acha que vai acontecer?

É difícil prever. O shopping quer criminalizar. Estou achando que vai ter uma multidão de gente lá na porta. Não sei se vai ter polícia, tumulto. Eu não sei.


Você acha que houve uma reação exagerada aos rolezinhos?

Acho que esses jovens normais, não têm nada de arruaceiros.


Qual a relação do funk com o encontro?

Olha eu não estou muito bem informado sobre esse fenômeno novo chamado funk da ostentação. Mas acho que os rolezinhos, em geral, têm a ver com isso. Tem a ver com desigualdade social, segregação.

Acha pertinente associar rolezinhos com temas como racismo e discriminação?

Acho que são, sim. Mas creio que, inicialmente, não tinha esse debate. Era só a molecada querendo ir ao shopping, paquerar, ver vitrine. Agora, como isso foi criminalizado, começou um debate meio politizado, meio sociológico.

Mas você crê que os rolezinhos originalmente tinham um objetivo?

De socializar, passear, namorar, beijar.

E se tornou uma luta social?

Isso foi consequência. A partir do momento que a PM agride com balas de borracha, com gás, a partir do momento em que o shopping coloca um aviso falando que eles não podem entrar, isso se torna uma luta. Um menino de periferia ter que pagar 10 mil reais (de multa por participar do rolezinho) se torna um debate político.

Considera o rolezinho um fenômeno novo?

Acho que o rolezinho sempre existiu. Meninos da periferia se arrumam no fim de semana, vão para o shopping, ficam olhando coisas de grife. Isso sempre houve, só que agora tomou uma proporção maior. A mobilidade agora é maior, bilhete único, faixa de ônibus, trem, metrô.

E se você se colocar do outro lado? No lado dos consumidores e dos lojistas? Qual sua opinião sobre a liminar?

Minha opinião não muda. Os estudantes da FEA (faculdade de economia da USP) fazem todo ano uma espécie de rolezinho no shopping Eldorado (no início do ano, calouros são levados ao shopping, sobem em meses e entoam canções). No entanto, ninguém pediu liminar.

Qual é sua posição política?

Sou mais vinculado à esquerda.

Seu posicionamento interferiu na criação do evento?

Acho que faz parte. Tudo que a gente faz é carregado da nossa ideologia, da nossa formação.

Últimas


    Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.