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Campina Grande 162 anos: personagens tradicionais ajudam a preservar a identidade da cidade ao longo das décadas

Entre as tradições que atravessam gerações e os personagens que fazem parte do cotidiano, Campina Grande preserva sua identidade...

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Entre as tradições que atravessam gerações e os personagens que fazem parte do cotidiano, Campina Grande preserva sua identidade na memória de quem ajudou a construir sua história.

A Rainha da Borborema completa 162 anos de emancipação política neste domingo (11). Desde 11 de outubro de 1864, a cidade vem construindo uma história que ultrapassa as fronteiras da Paraíba e ganha reconhecimento no Brasil e no mundo. Conhecida pelo Maior São João do Mundo, a cidade também se revela na arte, na música, nas cores e nas lembranças de quem acompanha suas transformações.

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Da chegada da primeira Maria Fumaça aos festejos juninos, das brincadeiras de rua à cultura musical, os registros ajudam a contar a trajetória de um lugar que carrega o passado sem deixar de olhar para o futuro. Entre as imagens que atravessam gerações, também estão figuras que marcaram a identidade cultural campinense, como o cantor e compositor Biliu de Campina.

Mas uma cidade não se resume aos seus monumentos, às ruas ou aos pontos históricos que se tornam cartões-postais. Sua essência também está nas pessoas. Gente que, ao longo de décadas, fez do trabalho uma forma de criar raízes, construir amizades e participar da história de Campina Grande.

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Na reportagem especial deste aniversário, o repórter Rafael Gonçalves nos convida a conhecer alguns desses personagens, que são conhecidos não apenas pelo que fazem, mas pelas relações que construíram com quem passa por ali todos os dias.

Assista a reportagem completa no vídeo abaixo:

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*** Na Rua Venâncio Neiva, em meio à movimentação do Centro, é possível encontrar seu Alcides em plena atividade. Aos 92 anos, ele mantém uma rotina que já dura pelo menos cinco décadas no mesmo local.

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Acolhido por Campina Grande em 1949, foi na cidade que construiu a família e aprendeu uma profissão. Com mãos habilidosas e olhar preciso, passou a amolar alicates e tesouras, além de consertar objetos que chegam até ele como um desafio.

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Mais do que o serviço prestado, seu Alcides conquistou uma clientela que, com o tempo, se transformou em amizade. Há quem frequente o local há tantos anos que a relação com o profissional atravessa gerações.

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*** Na Praça da Bandeira, outro personagem faz parte da paisagem do Centro: seu Orlando, conhecido pela banca de jornais e revistas que mantém há 53 anos.

Durante esse período, muita coisa mudou. O hábito de comprar jornais impressos perdeu espaço diante das novas formas de acompanhar as notícias, e o comércio precisou encontrar alternativas para continuar funcionando.

Seu Orlando se adaptou. Além de jornais e revistas, passou a vender refrigerantes, picolés, balas, sorvetes e oferecer recargas para cartões de transporte público. A mudança no negócio, no entanto, não alterou o vínculo que construiu com o lugar.

Ao longo de mais de cinco décadas, viu a cidade se transformar e acompanhou diferentes gerações passarem pela praça. Hoje, parte dessa história também é compartilhada com o filho, que acompanha o trabalho do pai e reconhece a importância do legado construído ao longo dos anos.

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*** A poucos passos dali, outro espaço convida a uma viagem por diferentes épocas. No sebo de seu Edílson, discos, CDs e livros formam um acervo de milhares de itens, reunidos ao longo de 42 anos de dedicação à cultura.

Quem entra na lojinha encontra mais do que objetos antigos. Cada disco pode guardar a lembrança de uma música ou de um momento especial; cada livro abre a possibilidade de conhecer outras histórias. É um lugar onde a nostalgia se encontra com a curiosidade e onde a arte continua despertando interesse.

Para seu Edílson, o contato com a música, a literatura e o cinema tem um valor que vai muito além do entretenimento.

“Tu sabe que quem gosta de cultura não morre. O caba que gosta de cultura não morre, não”, diz.

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Aos 162 anos, Campina Grande é uma cidade pulsante, que acompanha as transformações do tempo sem deixar para trás as marcas de sua história. Sua grandeza está nos festejos que atraem multidões, nas expressões artísticas que atravessam gerações e nos espaços que ajudam a preservar a memória coletiva.

Mas também está na simplicidade de quem abre a própria banca todas as manhãs, afia ferramentas para antigos fregueses ou dedica décadas a reunir livros e discos. Pessoas que, muitas vezes longe dos holofotes, participam da construção diária da cidade.

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