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Cisternas são uma solução sustentável para armazenar água no semiárido

Por Lenildo Morais, presidente da Funasa No semiárido brasileiro, onde a chuva é concentrada em poucos meses do ano, se conhece...

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Lenildo Morais, geógrafo, gestor público e presidente da Funasa


Por Lenildo Morais, presidente da Funasa

No semiárido brasileiro, onde a chuva é concentrada em poucos meses do ano, se conhece bem o peso da escassez de água. Em milhares de comunidades rurais, o acesso à água ainda define limites para a saúde, a produção de alimentos, a permanência das famílias no campo e, principalmente, para a dignidade daquelas pessoas.


Por isso, a retomada do programa de implantação de cisternas iniciada em 2025 pela Fundação Nacional de Saúde (Funasa) precisa ser compreendida não apenas como uma ação de infraestrutura, mas como uma política pública estratégica para o país. A iniciativa utiliza a capacidade operacional, territorial e de articulação federativa da Funasa, após o processo de reestruturação institucional vivido nos últimos anos.

A decisão de implantar 20.976 cisternas, em quase 498 municípios de oito estados (Bahia, Ceará, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe), representa uma resposta concreta a um problema histórico. Em regiões onde a estiagem é recorrente e a insegurança hídrica afeta diretamente a vida cotidiana, garantir água potável significa reduzir desigualdades sociais profundas que atravessam gerações.


Essa iniciativa da Funasa merece destaque pela capacidade de produzir resultados imediatos e perceptíveis. A cisterna transforma a rotina das famílias de maneira direta. Água disponível perto de casa reduz deslocamentos exaustivos, melhora condições sanitárias, fortalece a segurança alimentar e contribui para a prevenção de doenças.

            Cabe destacar também que esse programa de implantação de cisternas ganha importância em um contexto global marcado pelas mudanças climáticas. A convivência com o semiárido exige soluções adaptadas à realidade ambiental da região, e as cisternas representam uma tecnologia social consolidada, eficiente e de baixo custo relativo. Ao investir em segurança hídrica, o Brasil também fortalece sua agenda de adaptação climática e resiliência ambiental.


O programa de cisternas, que alia milhares de obras, formação dos usuários e educação ambiental, simboliza a presença efetiva do Estado em territórios historicamente negligenciados. Isso porque ofertar água é promover cidadania, saúde pública e dignidade.

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