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Além da genética: veja fatores que influenciam o crescimento infantil

Alguns aspectos da vida podem interferir diretamente no desenvolvimento das crianças

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Além da genética: veja fatores que influenciam o crescimento infantil Portal EdiCase

Embora a genética tenha papel importante na definição da altura, especialistas alertam que o crescimento infantil vai muito além da herança familiar. Alimentação, qualidade do sono, atividade física, saúde emocional e até o excesso de telas podem interferir diretamente no desenvolvimento das crianças.

Segundo o Dr. Pedro Andrade, pesquisador e doutorando na Universidade de São Paulo (USP) e fundador do Instituto Genoma, o organismo infantil responde constantemente ao ambiente em que está inserido. “A infância é um dos períodos mais sensíveis da vida humana. O corpo e o cérebro estão aprendendo diariamente como interpretar o mundo. Uma criança não cresce apenas por genética. Ela cresce em resposta ao ambiente”, explica.

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Nos últimos anos, estudos internacionais vêm reforçando essa relação. Uma análise publicada na revista científica The Lancet, que avaliou dados de mais de 65 milhões de crianças e adolescentes em 200 países, mostrou que fatores ambientais e socioeconômicos têm impacto importante nas trajetórias de crescimento infantil.

Para o Dr. Pedro Andrade, o conceito de crescimento saudável precisa ser ampliado. “Muitas vezes os pais associam altura apenas à genética familiar, mas o crescimento depende de uma combinação complexa de fatores. Sono inadequado, alimentação pobre em nutrientes, estresse crônico, sedentarismo e inflamação metabólica podem limitar o potencial de desenvolvimento da criança”, afirma.

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Sono, alimentação e hormônios do crescimento

O médico destaca que o hormônio do crescimento é liberado principalmente durante o sono profundo. Por isso, noites maldormidas podem afetar diretamente o desenvolvimento físico. “O sono é um dos pilares mais negligenciados da infância moderna. Crianças que dormem pouco ou têm excesso de estímulo noturno acabam impactando funções hormonais fundamentais para crescimento, imunidade e desenvolvimento cerebral”, diz.

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A alimentação também exerce papel central. Dietas ultraprocessadas, excesso de açúcar e carência de nutrientes importantes podem prejudicar tanto o crescimento quanto a saúde metabólica. “O organismo infantil precisa de nutrientes para construir tecido ósseo, muscular e neurológico. Quando a alimentação é inflamatória e pobre nutricionalmente, o corpo prioriza sobrevivência, não performance biológica ideal”, pontua o Dr. Pedro Andrade.

Crianças precisam de movimento, luz natural e estímulos reais para uma boa saúde hormonal e metabólica Imagem: Volodymyr TVERDOKHLIB | Shutterstock

Excesso de telas e sedentarismo preocupam especialistas

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Outro ponto de atenção é o estilo de vida cada vez mais sedentário das crianças. Longos períodos diante de telas, baixa exposição solar e pouca atividade física podem interferir na saúde hormonal e metabólica.

“A criança precisa de movimento, luz natural, vínculo social e estímulos reais. O excesso de telas altera sono, comportamento, atenção e até hábitos alimentares. Tudo isso influencia o desenvolvimento global”, alerta o Dr. Pedro Andrade.

Crescimento saudável vai além da altura

Mais do que centímetros, o desenvolvimento infantil envolve cognição, imunidade, comportamento e saúde emocional. “[…] Quando os pais reorganizam profundamente o estilo de vida, as crianças começam a mudar junto. A gente percebe melhora no sono, na imunidade, na vitalidade, no comportamento e até no crescimento”, relata.

Para o pesquisador, investir em infância saudável é uma estratégia de saúde pública de longo prazo. “Talvez o maior investimento que uma sociedade possa fazer seja construir infâncias melhores. Uma criança metabolicamente inflamada, privada de sono e desconectada de hábitos saudáveis não perde apenas saúde, ela perde potencial humano”, conclui.

Por Daiane Bombarda

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