Coração acelerado: quando a palpitação pode ser sinal de arritmia?
Quando o sintoma se torna recorrente, é importante descobrir o que está provocando a alteração
Portal EdiCase|Do R7

Apesar de ser comum sentir o coração acelerar depois de uma atividade física ou em uma situação de estresse, episódios que surgem repentinamente e sem uma causa aparente devem ser investigados, principalmente quando vêm acompanhados de outros sintomas.
As arritmias cardíacas são alterações na frequência ou no ritmo dos batimentos e podem apresentar diferentes características. Algumas são consideradas benignas, enquanto outras estão relacionadas a doenças cardiovasculares e precisam de acompanhamento.
“Palpitação é um sintoma bastante comum e pode acontecer em situações que não representam um problema cardíaco. Porém, quando é recorrente, aparece em repouso, surge durante o esforço ou está associada a tontura, falta de ar ou desmaio, merece uma investigação mais cuidadosa. O primeiro passo é entender como esse coração está batendo e em que contexto essas alterações acontecem”, explica a Dra. Patrícia Hitomi Kuga, cardiologista com atuação em Cardiologia, Arritmias Cardíacas e Medicina do Estilo de Vida.
Fibrilação atrial exige atenção especial
Entre os diferentes tipos de arritmia está a fibrilação atrial, caracterizada por batimentos irregulares. A condição pode ocorrer de forma episódica e, em alguns casos, não provocar sintomas perceptíveis, o que dificulta sua identificação.
“A fibrilação atrial é uma arritmia que merece atenção porque pode aumentar o risco de formação de coágulos e, consequentemente, de acidente vascular cerebral. Ela também pode estar relacionada à insuficiência cardíaca. Como pode ser intermitente e silenciosa, algumas pessoas só descobrem a condição durante uma consulta ou investigação por outro motivo”, alerta a médica.
Tontura e desmaio associados aos batimentos precisam ser investigados
Nem toda alteração do ritmo provoca consequências graves, mas sintomas como tontura, fraqueza ou desmaio podem indicar que o coração não está conseguindo manter uma frequência adequada em determinadas situações.
“Quando a palpitação vem acompanhada de tontura, sensação de desmaio ou perda de consciência, precisamos investigar com mais atenção. Esses sintomas podem ter várias causas, mas é importante verificar se existe alguma relação com o ritmo cardíaco. A avaliação médica ajuda a entender se estamos diante de uma alteração isolada ou de uma situação que exige acompanhamento específico”, explica a Dra. Patrícia Hitomi Kuga.

Exames ajudam a identificar arritmias
A investigação de uma possível arritmia não depende apenas do relato do paciente. O cardiologista pode utilizar diferentes exames para registrar os batimentos cardíacos e avaliar a estrutura e o funcionamento do coração.
“O eletrocardiograma pode identificar alterações do ritmo no momento em que o exame é realizado, mas algumas arritmias aparecem apenas de maneira ocasional. Nesses casos, podemos utilizar o Holter ou outras formas de monitorização prolongada. Dependendo da situação, também podemos solicitar ecocardiograma e exames laboratoriais. A escolha depende dos sintomas e das características de cada paciente”, orienta a Dra. Patrícia Hitomi Kuga.
Hábitos de vida também influenciam a saúde do coração
Além da investigação médica, certos fatores podem interferir na saúde cardiovascular. Por isso, o cuidado com o coração também envolve mudanças na rotina. “Não devemos olhar para a arritmia de maneira isolada. É importante avaliar a saúde cardiovascular como um todo, incluindo pressão arterial, alimentação, atividade física, qualidade do sono, consumo de álcool e outras condições que podem aumentar o risco. A Medicina do Estilo de Vida justamente amplia esse olhar e busca atuar também sobre os fatores que podem ser modificados”, destaca a cardiologista.
Quando procurar atendimento?
Palpitações recorrentes, batimentos muito acelerados ou muito lentos, tontura, falta de ar e episódios de desmaio devem ser avaliados por um profissional, principalmente quando surgem pela primeira vez ou apresentam intensidade diferente do habitual. Dor intensa ou persistente no peito, falta de ar importante ou sintomas neurológicos súbitos exigem atendimento médico de emergência.
“Nem toda alteração do ritmo cardíaco representa uma emergência, mas toda arritmia precisa ser corretamente identificada. O diagnóstico permite diferenciar situações benignas daquelas que necessitam de tratamento e acompanhamento. A ideia é ter atenção aos sinais sem transformar toda palpitação em motivo para pânico”, conclui a Dra. Patrícia Hitomi Kuga.
Por Sarah Carvalho
















