Corrida: descubra os benefícios do esporte e veja como evitar lesões
A prática vem ganhando cada vez mais espaço no país e traz diversos ganhos para a saúde e a qualidade de vida
Portal EdiCase|Do R7

Celebrado em 3 de junho, o Dia Mundial da Corrida marca uma data que reflete um fenômeno cada vez mais evidente no Brasil. Dados da Associação Brasileira de Organizadores de Corridas de Rua e Esportes Outdoor (ABRACEO) mostram que o número de corridas de rua oficiais realizadas no país cresceu 85% em 2025, saltando de 2.827 para 5.241 provas.
O levantamento evidencia uma tendência de crescimento contínuo do setor, que já havia registrado alta de 45% em 2024. Em 2026, a expectativa é de um crescimento de 15%, demonstrando a consolidação da corrida como um hábito cada vez mais presente na rotina dos brasileiros. Segundo dados da Ticket Sports, somente em 2025 foram realizados 11.706 eventos esportivos no país, sendo que as corridas de rua representaram 89,8% desse total.
Benefícios da corrida para a saúde física
O Dr. Gabriel Miura, médico do esporte e professor da Afya Educação Médica Belo Horizonte, comenta que a corrida é uma das modalidades aeróbicas mais democráticas para a promoção da saúde. O aumento da popularidade do esporte está diretamente ligado aos inúmeros benefícios que a prática regular proporciona à saúde.
“Entre eles, destacam-se o condicionamento do sistema cardiovascular, com aumento do consumo máximo de oxigênio (VO₂máx) e maior eficiência cardiorrespiratória, a redução do risco de doenças cardiovasculares, incluindo hipertensão arterial, doença coronariana e acidente vascular cerebral, e a melhora do controle metabólico, com aumento da sensibilidade à insulina e redução do risco de diabetes mellitus tipo 2”, explica.
A prática regular também ajuda no controle do peso corporal, devido ao alto gasto energético e à melhora da composição corporal. Além disso, contribui para o aumento da densidade mineral óssea, ajudando na prevenção da osteopenia e da osteoporose. “Outros benefícios incluem a melhora da capacidade funcional, o efeito anti-inflamatório sistêmico associado à atividade física regular e a melhora da qualidade do sono, do controle do estresse e da disposição física”, acrescenta o médico.
Benefícios sociais e mentais
Além dos benefícios físicos, a corrida também tem sido associada ao fortalecimento dos vínculos sociais. Grupos de corrida e eventos esportivos se transformaram em espaços de convivência e motivação coletiva, tornando a prática mais acessível e estimulante para iniciantes e experientes.
“A participação em grupos de corrida e eventos esportivos pode aumentar a adesão ao exercício a longo prazo, estimular a motivação e a disciplina. Do ponto de vista neurobiológico, a atividade física regular está associada ao aumento da liberação de neurotransmissores como endorfinas, serotonina e dopamina, relacionados à sensação de bem-estar e recompensa. Por isso, a corrida de rua é hoje considerada não apenas uma ferramenta de promoção da saúde física, mas também uma estratégia importante para melhoria da saúde mental, da qualidade de vida e da interação social”, complementa o especialista.

Principais riscos de lesões
O crescimento acelerado da modalidade acende um alerta para os cuidados necessários com a saúde musculoesquelética. Um estudo publicado em 2025 na Revista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício identificou prevalência de 46,5% de lesões musculoesqueléticas entre corredores de rua.
A pesquisa apontou associação significativa entre lesões e a prática da corrida por mais de um ano, além da realização de alongamento estático antes dos treinos. As ocorrências mais frequentes foram canelite (35%), entorses (25%) e estiramentos musculares (20%), afetando principalmente regiões como panturrilha, tíbia, tornozelo, pé e coxa.
Segundo o Dr. Gabriel Miura, a maioria das lesões relacionadas à corrida ocorre por sobrecarga mecânica repetitiva, e não por trauma agudo. Entre as lesões mais frequentes, estão a dor femoropatelar, caracterizada por dor na região anterior do joelho, a síndrome da banda iliotibial, a tendinopatia do tendão de Aquiles, a fasceíte plantar, as tendinopatias dos glúteos e do tendão patelar, a periostite tibial medial (canelite), as fraturas por estresse, principalmente em tíbia, metatarsos e colo femoral, além de lesões musculares que acometem com maior frequência a panturrilha, os isquiotibiais e o quadríceps.
Cuidados antes e durante a prática do esporte
O estudo “Running injuries. A review of the epidemiological literature“, disponível na Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos, revelou que aproximadamente metade dos corredores amadores sofre pelo menos uma lesão por ano capaz de interromper temporariamente a prática esportiva.
O médico ressalta que, antes de iniciar um programa de corrida, recomenda-se uma avaliação para identificar fatores de risco cardiovasculares ou doenças pré-existentes. Também é importante uma avaliação física para detectar limitações musculares, déficits de mobilidade e desequilíbrios biomecânicos. O início do treino deve ser gradual, com alternância entre caminhada e corrida.
“A escolha de calçado adequado ao tipo de corredor e terreno é relevante, assim como a atenção à recuperação, hidratação e alimentação. O treinamento de força é um dos pilares da preparação do corredor, pois melhora a absorção de cargas, reduz o risco de lesões, aumenta a estabilidade articular, a resistência muscular e o desempenho. Os principais grupos musculares incluem glúteos, quadríceps, isquiotibiais, panturrilhas e core, com recomendação de 2 a 3 sessões semanais”, diz o docente da Afya.
Além disso, conforme o Dr. Gabriel Miura, a prevenção de lesões envolve progressão gradual da carga, fortalecimento muscular e manutenção de uma rotina de sono adequada. Também depende de uma alimentação compatível com a prática esportiva, do controle do volume semanal de exercícios e da atenção aos sinais do corpo, como dores persistentes e excesso de fadiga.
Por Matheus Garcia















