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Augusto Nunes

Entrevistada em parafuso

Petra Costa acelera o desfile de invencionices que começou com "Democracia em Vertigem"

Augusto Nunes|Do R7 e Augusto Nunes

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"Ele também tirou proveito dos altos índices de homicídio no Brasil e ele prometeu matar criminosos", diz a entrevistada entre os 10 e os 20 segundos do vídeo de pouco mais de 2 minutos. "Ele" — quem mais poderia ser? — é Jair Bolsonaro. Ela é Petra Costa, que está no estúdio de uma tevê americana para divulgar "Democracia em Vertigem", um dos concorrentes ao Oscar de Melhor Documentário.

Já tratei nesta coluna da delirante sequência de fantasias que transformam assaltantes em mocinhos, xerifes em bandidos e perfeitas bestas quadradas em estadistas. Tudo para enfiar em mentes desertas de neurônios que existiu um "Golpe de 2016". Nessa versão sem pé nem cabeça, Dilma foi vítima de uma trama costurada com mesóclise e sussurros pelo traiçoeiro Michel Temer.


O vídeo esboça o roteiro da continuação da história. Pelo que Petra diz na entrevista, está quase pronto o roteiro de Democracia em Parafuso, protagonizado por um vilão de meter medo até em serial killer de filme americano: Jair Bolsonaro, vulgo Ele.

Aos 33 segundos, Bolsonaro declara guerra aos gays, ao feminismo e ao que Petra batizou de "pessoas de cor" ("people of color"). Aos 48 segundos, é responsabilizado pelo aumento do número de homicídios cometidos por policiais no Brasil e, sobretudo, no Rio. Aos 60 segundos, é acusado de patrocinar "o genocídio dos brasileiros negros". Aos 98 segundos, Petra afirma: Ele incentiva fazendeiros a invadir terras indígenas e queimar a floresta amazônica, que chegou a um ponto que pode virar uma savana a qualquer momento.


Aos 101 segundos, a coisa desanda de vez. Petra revela que os adversários de Bolsonaro, a três dias da eleição, ficaram espantados com a ascensão nas pesquisas do candidato que liderava a corrida desde o primeiro turno. Aos 106 segundos, sicários de Bolsonaro espalham que Manuela D'Ávila, a candidata a vice de Fernando Haddad, andava promovendo rituais satânicos e era mãe de um bebê diabo.

"Muitos brasileiros acreditaram e mudaram o voto no último minuto por causa dessas fake news", encerra Petra. O apresentador contempla a entrevistada com cara de espanto. A voz chorosa e a expressão beatífica de Petra informam: a concorrente sem chances ao Oscar é forte candidata a uma camisa de força.

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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