Os pecadores de novo na ofensiva

Quem sonha com a paralisia da Lava Jato bom sujeito não é

O procurador Geral da República, Augusto Aras

O procurador Geral da República, Augusto Aras

Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Subitamente, o procurador-geral da República, com tanta coisa a procurar, resolveu descobrir o que só sabem os procuradores e policiais federais na Operação Lava Jato. Como a emissária de Augusto Aras voltou de Curitiba de mãos abanando, o chefe pediu ajuda ao presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli.

Repentinamente, Toffoli resolveu que o caso precisava ser liquidado em regime de urgência urgentíssima. Em decisão monocrática, determinou que todas as informações em poder da Lava Jato devem ser "compartilhadas" com Augusto Aras e seus sherloques de confiança.

Aras jamais conseguiu esconder a antipatia pela Lava Jato. Esse sentimento não resulta de erros cometidos pela maior operação anticorrupção da história. Decorre da extraordinária eficiência da investida contra a corrupção institucionalizada e impune. Graças aos participantes da operação, os brasileiros descobriram que, quando a Justiça funciona, todos são iguais perante a lei. E há lugar na cadeia para bandidos da classe executiva, inclusive ex-presidentes da República.

Também por isso, Toffoli sonha com o fim do que deveria ser o começo da dedetização dos porões infestados de larápios protegidos por imunidades parlamentares e foros privilegiados. O presidente do Supremo também deve estar ansioso por conhecer em detalhes o que revelou Marcelo Odebrecht sobre suas ligações mais que promíscuas com o então advogado-geral da União.

Os avanços da Lava Jato mudaram o Brasil para melhor. A operação é aplaudida por todos os homens de bem. Quem faz o que pode para obstruir seus caminhos é bandido ou comparsa de bandido. O resto é conversa fiada.

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