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Após pressão, governo decreta fim dos incentivos fiscais para marcas chinesas

Isenção de impostos para montagem de kits encerrou nesta semana

Autos Carros|Marcos Camargo JrOpens in new window

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BYD foi uma das marcas favorecidas pela redução de impostos Marcos Camargo Jr 31.01.2026

O debate sobre incentivos tributários para montadoras instalarem fábricas ou importarem carros desmontados no Brasil está chegando a um ponto definitivo. Após um período de facilitação temporária para a entrada de veículos eletrificados via regimes SKD e CKD (kits desmontados para montagem no destino), com isenção de imposto de importação válida até 31 de janeiro de 2026, os carros chineses voltam a ter plena tributação sobre veículos importados.

O governo federal havia autorizado, em 2025, uma cota com isenção do imposto de importação sobre veículos eletrificados desmontados (SKD e CKD), beneficiando cerca de 15 montadoras — entre elas a chinesa BYD — como parte de uma estratégia para atrair investimentos e acelerar a eletrificação da indústria automotiva no Brasil.


No entanto, entidades que representam as montadoras tradicionais no país, principalmente a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), pressionaram o governo para que o benefício não fosse prorrogado, argumentando que incentivos prolongados para montagem simplificada de veículos desmontados prejudicam a cadeia produtiva nacional, empregos e investimentos com maior valor agregado.

O R7-Autos Carros esteve na última reunião da Anfavea, quando o presidente da entidade, Igor Calvet, falou sobre os riscos desse tipo de operação para a indústria de veículos.


Um estudo recente da Anfavea sugere que a manutenção desses incentivos poderia ameaçar até 69 mil empregos diretos no setor e gerar perdas de até R$ 103 bilhões em produção e arrecadação, caso a montagem de carros quase completos importados continue sem contrapartidas locais robustas.

Retomada de tributos e calendário de alíquotas

Com o fim do benefício, o cronograma de retomada dos impostos de importação sobre veículos eletrificados e kits desmontados segue sua trajetória original, com as alíquotas máximas sendo alcançadas até 2026 e 2027.


Carros elétricos e híbridos importados (montados) pagam alíquota de 35% prevista até julho de 2026. Já os veículos eletrificados importados em kits SKD terão nova alíquota fixada 35% já a partir de julho de 2026. Veículos importados como CKD (desmontados) passam a ter tributos de cerca de 14%, com elevação para 35% a partir de janeiro de 2027.

Essa retomada corresponde ao que foi decidido em etapas anteriores pelo governo, antecipando a cobrança total para proteger a indústria e evitar distorções competitivas que favoreçam a simples montagem de kits importados em detrimento da produção mais complexa e integrada.


Reação rápida das marcas chinesas

Mas as marcas mais novas presentes aqui também deram passos no sentido de acelerar a produção local parcial, como a BYD, que está em fase final da construção de um setor de estamparia e pintura com a ampliação da fábrica de automóveis em Camaçari (BA).

A GWM também está avançando na unidade de Iracemapolis e já está montando veículos eletrificados com um cronograma de nacionalização. A intenção é de fixar as bases para uma produção brasileira.

Embora o país não tenha capacidade de produção de veículos eletrificados com sistema de tração (Toyota produz aqui híbridos com motores elétricos importados e a Stellantis, por exemplo, adota ainda sistemas híbridos leves e não híbridos puros que são mais eficientes), a mudança tende a forçar fabricantes a nacionalizarem componentes para beneficiar a indústria.

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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