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Crise da indústria de autopeças na Europa: mais de 100 mil empregos perdidos

Associação do setor pede providências para a União Europeia após ciclo de desindustrialização

Autos Carros|Marcos Camargo JrOpens in new window

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Crise da indústria de autopeças na Europa: mais de 100 mil empregos perdidos CLEPA/Divulgação

Nos últimos anos, a indústria europeia de autopeças enfrenta uma crise sem precedentes marcada por queda na demanda por veículos, forte concorrência internacional e desafios estruturais na transição para veículos elétricos. Dados da CLEPA, principal associação que representa os fornecedores de autopeças na Europa, mostram que mais de 100 mil empregos foram anunciados para corte apenas em 2024 e 2025, refletindo uma situação grave para o setor e sua cadeia de fornecimento.

Crise da indústria de autopeças na Europa: mais de 100 mil empregos perdidos CLEPA/Divulgação

Demissões em série


Segundo os relatórios da CLEPA, os fornecedores europeus anunciaram cerca de 54 mil demissões em 2024 e 50 mil em 2025, totalizando mais de 104 mil empregos perdidos em dois anos. Apenas uma fração desses cortes foi compensada por vagas criadas, com apenas 7 mil novas posições anunciadas em 2025, indicando que a recuperação ainda está longe de compensar as perdas no setor.

Crise da indústria de autopeças na Europa: mais de 100 mil empregos perdidos Bosch Rexroth/Divulgação

O secretário-geral da associação, Benjamin Krieger, afirmou que a situação é “sem precedentes” e que a sangria de empregos ainda não foi contida, apesar de esforços de fornecedores para ajustar capacidades produtivas.


Causas da crise no setor

Uma das principais causas da crise é a queda persistente na demanda por veículos na Europa, que se mantém abaixo dos níveis pré-pandemia. Isso reduz diretamente a necessidade de componentes e peças produzidas pelos fornecedores locais.


Crise da indústria de autopeças na Europa: mais de 100 mil empregos perdidos Bosch Rexroth/Divulgação

Além disso, a competição de fabricantes chineses com produtos importados a preços significativamente mais baixos tem pressionado ainda mais os fornecedores europeus, reduzindo margens de lucro e impondo desafios de competitividade. A presença crescente de veículos chineses no mercado europeu tem se refletido em importações mais baratas e maior participação de fabricantes internacionais.


Crise da indústria de autopeças na Europa: mais de 100 mil empregos perdidos TMT/Divulgação

Outro fator estrutural é a transição para veículos elétricos (EVs), que altera radicalmente a demanda por componentes tradicionais. Carros elétricos exigem menos peças mecânicas do que veículos com motor de combustão, pressionando ainda mais os fornecedores especializados em tecnologias antigas.

A combinação de custos operacionais elevados, competição externa e necessidade de investir em novas tecnologias intensivas em capital está levando muitas empresas a revisar suas capacidades industriais, com fechamento de fábricas ou realocação de produção para regiões com custos menores. Assim como a produção de veículos, muitos fabricantes de peças deixaram regiões como Inglaterra, França e Alemanha e foram para países com custos menores como Hungria, Polônia e Romênia.

Riscos futuros e respostas políticas

A CLEPA alertou que, se não houver ação política coordenada, os cortes de empregos podem se aprofundar nos próximos anos — estimativas sugerem que até 350 mil postos de trabalho podem desaparecer até 2030 se a indústria não recuperar competitividade e responder à concorrência global.

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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