Direção hidráulica e elétrica: o que muda no carro e na manutenção
Assistência elétrica domina os carros novos, enquanto o sistema hidráulico permanece em modelos de projeto antigo e parte dos utilitários a diesel; cuidados na oficina são diferentes

A direção elétrica se tornou o padrão entre os carros novos, dos modelos de entrada aos SUVs mais caros. A hidráulica, porém, continua presente em uma parcela importante da frota brasileira, principalmente nos veículos de projeto mais antigo e em parte das picapes, SUVs e comerciais a diesel. Para o motorista, a diferença vai além do esforço para virar o volante: muda o funcionamento da assistência e também o que precisa ser verificado na manutenção. A substituição dos sistemas hidráulicos pelos elétricos acompanha a evolução dos projetos em diferentes segmentos.

Embora o princípio seja o mesmo, o de assistir o movimento dos eixos com menor esforço a direção elétrica e a hidráulica são muito diferentes no dia a dia e na manutenção.

O combustível, por si só, não determina o tipo de direção. Um veículo a diesel pode ter assistência elétrica, inclusive em aplicações que exigem mais força para movimentar rodas e pneus maiores.

Na direção hidráulica convencional, uma bomba acionada pelo motor pressuriza um fluido que ajuda a movimentar o mecanismo de direção. Ela se tornou popular nos anos 1960 nos Estados Unidos chegou aqui em 1967 com o Ford Galaxie. Ela se tornou mais comum aqui só 20 anos depois. Esse auxílio reduz a força necessária no volante, principalmente nas manobras. O conjunto inclui reservatório, mangueiras, conexões e vedações, além da própria bomba e da caixa de direção.

Na elétrica, essa ajuda vem de um motor elétrico instalado na coluna ou no mecanismo de direção, conforme o projeto. Sensores identificam o esforço aplicado pelo motorista e uma central calcula a assistência necessária. O sistema dispensa a bomba hidráulica e o circuito de fluido para essa função. É bem mais simples de manutenção quase inexistente.

Na prática, a assistência elétrica permite ajustar o peso do volante por programação. Ela pode facilitar as manobras e oferecer uma resposta mais firme com o aumento da velocidade, conforme a calibração escolhida pela fabricante. Também facilita a integração com recursos de assistência à condução que fazem correções no volante. Isso não significa que toda direção elétrica terá a mesma sensação: precisão, peso e resposta dependem do acerto de cada carro. Outro motivo para sua adoção é a eficiência. A direção elétrica evita o acionamento contínuo de uma bomba hidráulica pelo motor a combustão e pode contribuir para reduzir o consumo. O ganho varia conforme o veículo e as condições de utilização.
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Na hidráulica, vazamento merece atenção
A manutenção da direção hidráulica exige observar o nível e a condição do fluido, além de procurar vazamentos em mangueiras, conexões, bomba e caixa de direção. Ruídos ao esterçar e aumento do esforço no volante precisam ser investigados. Uma bomba com perda de vazão ou dificuldade para circular o fluido pode comprometer a assistência.
Completar o reservatório repetidamente não resolve a causa de uma perda de fluido. A oficina deve identificar a origem do problema e usar o produto com a especificação prevista para aquele veículo. Também não existe um prazo único de troca válido para todos os carros: a referência deve ser o plano de manutenção da fabricante.Há ainda a direção eletro-hidráulica, que pode gerar confusão. Ela foi comum em modelos de várias marcas como a linha Renault Sandero, Logan e Duster além da Oroch por exemplo. Nela, um motor elétrico aciona a bomba, mas a assistência continua dependendo de fluido, mangueiras e componentes hidráulicos. Portanto, ela mantém cuidados com vazamentos, condição do óleo e funcionamento da bomba, além da verificação da alimentação elétrica.
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Elétrica dispensa fluido, mas também precisa de diagnóstico
Na direção elétrica, não há óleo de assistência para completar ou substituir. Isso elimina parte dos cuidados de rotina do sistema hidráulico, mas não torna o conjunto livre de defeitos. Motor elétrico, sensores, módulo e conexões fazem parte do diagnóstico, que pode exigir scanner e procedimentos específicos de calibração após determinados reparos.

Uma falha também não significa automaticamente que toda a caixa de direção precisa ser substituída. Antes de autorizar o serviço, é necessário identificar a origem do defeito. O custo depende do componente afetado, da disponibilidade de peças e dos procedimentos previstos para o modelo.Nos dois tipos, continuam existindo componentes mecânicos sujeitos a desgaste. Terminais, articulações, coifas e fixações precisam ser inspecionados. Pneus com pressão incorreta e problemas de alinhamento também podem alterar a sensação ao volante, por isso uma direção pesada ou um carro puxando para o lado exige avaliação do conjunto.
Para quem compra um usado, conhecer o sistema ajuda a orientar a inspeção. Na hidráulica, vale procurar sinais de vazamento e ruídos durante as manobras. Na elétrica, luz de advertência no painel e mudanças inesperadas na assistência exigem diagnóstico. Em ambos os casos, folgas, estalos ou alteração repentina no esforço do volante devem ser verificados antes de continuar usando o veículo.
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