Peugeot Partner e Rifter: teste de colisão mostra evolução dos itens de segurança
Monovolumes de proposta familiar trazem três décadas de diferença entre seus projetos; Órgão independente pede 'equidade' de nível de segurança a bordo dos dois veículos
Autos Carros|Marcos Camargo Jr e Marcos Camargo Jr.

Os testes de colisão são importantes para uma avaliação independente dos carros vendidos em todos os mercados. E ao longo do tempo, como sabemos, a inclusão de novos dispositivos de segurança e o trabalho da engenharia veicular torna os automóveis mais seguros. Um teste do Latin NCAP mostra a diferença entre veículos com a mesma proposta com idades diferentes de projeto: Peugeot Partner e Rifter, monovolumes familiares com quase 30 anos de diferença entre si.
O R7-Autos Carros acompanhou o teste de colisão entre os dois veículos na sede da ADAC, onde estão os laboratórios de teste do Latin NCAP. O Peugeot Parter foi oferecido no Brasil somente até o fim de 2021 como furgão. As versões passageiros saíram de linha em 2013 e o Peugeot não é oferecido no nosso mercado.

O Peugeot Partner é fabricado na Argentina com dois airbags frontais e Controle Eletrônico de Estabilidade (ESC) como equipamento padrão. O modelo foi desenvolvido e produzido pela primeira vez no final da década de 1990 na América do Sul sendo oferecido em vários países inclusive no Brasil há alguns anos. Já o Peugeot Rifter está duas gerações à frente e é produzido na Europa oferecendo seis airbags e ESC de série.

Proteção aos passageiros
Como esperado, o Peugeot Rifter atual tem estrutura mais segura e maior nível de equipamentos em relação ao Partner.

Na colisão frontal, a proteção oferecida pelo Rifter ao dummy de motorista adulto médio durante o teste de colisão foi boa na cabeça e no pescoço e adequada no tórax, mostrando uma estrutura estável. Porém o Partner apresentou proteção ruim no tórax e no pescoço e marginal na cabeça e uma estrutura instável.

O dummy do motorista do Partner Patagônica, que apresentava lesões com risco de vida, impediu que a estrutura se deformasse ainda mais. A proteção do dummy feminino pequeno que o acompanhava no Partner Patagônica mostrou uma proteção marginal do tórax e uma proteção preocupantemente fraca do pescoço, enquanto o Rifter mostrou uma proteção marginal do tórax para o dummy feminino pequeno que o acompanhava.

A cadeirinha instalada usando o cinto de segurança no Partner apresentou proteção fraca para o dummy de três anos e proteção fraca e marginal do pescoço e do peito, respectivamente, para o dummy de um ano e meio. O Rifter apresentou proteção total para o dummy de um ano e médio e boa proteção para o dummy de três anos com a cadeirinha instalada usando ancoragens ISOFIX e virado para trás.

Alejandro Furas, Secretário Geral do Latin NCAP e do Global NCAP afirma que "este resultado alarmante, para um veículo desenvolvido há mais de 25 anos e ainda vendido como novo na Argentina, põe em dúvida a liderança global da Peugeot em segurança veicular. Em um momento em que os padrões corporativos globais visam investir em empresas onde os direitos humanos são respeitados, é hora de os parceiros da Stellantis considerarem um cenário semelhante, pois os direitos humanos em termos de segurança veicular não estão sendo respeitados. Esperamos que esse teste seja um alerta para os consumidores, autoridades e fabricantes de veículos. Todos os consumidores, independentemente de onde moram ou de quanto pagam, têm direito ao mesmo padrão de segurança veicular. Essa lacuna de segurança não deveria mais existir. Pedimos à Stellantis e a outros fabricantes que parem de usar estratégias de duplo padrão em todo o mundo".














