Renault vai investir quase R$ 58 bilhões na França para ampliar produção de elétricos
François Provost anuncia mais de € 10 bilhões para os próximos cinco anos, com foco em carros mais acessíveis e produção local

A Renault pretende investir mais de € 10 bilhões na França nos próximos cinco anos, montante equivalente a aproximadamente R$ 58 bilhões. O anúncio foi feito pelo CEO do grupo, François Provost, em entrevista à rádio France Inter no sábado (3). A prioridade será continuar a expansão dos veículos elétricos e tornar esses modelos mais acessíveis, mas o executivo condicionou os investimentos ao ambiente social e político do país.

A declaração reforça uma transformação que já está em andamento. Segundo Provost, a Renault aplicou € 13 bilhões na França nos últimos cinco anos para adaptar sua estrutura industrial à eletrificação. Agora, o desafio é aproveitar essa base para ganhar escala e reduzir o custo dos carros, sem abrir mão da fabricação em seu país de origem. O anúncio, porém, ainda não traz uma divisão do novo montante por fábrica nem uma lista fechada de veículos beneficiados.

O centro dessa estratégia está no norte da França, onde a Renault reúne suas operações no polo industrial ElectriCity. Em Douai, uma mesma linha produz Renault 5, Megane e Scenic E-Tech, além do esportivo Alpine A290. A fábrica também monta o Nissan Micra elétrico e o Mitsubishi Eclipse Cross, permitindo compartilhar a estrutura industrial entre diferentes marcas. Esses são projetos já existentes, que ajudam a explicar a base sobre a qual a empresa pretende ampliar seus investimentos.

Em Maubeuge, os protagonistas são o Renault 4 E-Tech e a família Kangoo. O Renault 4 amplia a presença da marca entre os compactos elétricos com uma proposta mais familiar e versátil que a do Renault 5. Sua produção envolve outras unidades francesas: o motor é fabricado em Cléon, enquanto Ruitz participa da montagem do conjunto de baterias. A cadeia inclui ainda a produção de células na gigafábrica de Douai.

Os veículos comerciais também fazem parte da ofensiva. A Renault anunciou a nova família elétrica Trafic, Estafette e Goelette para fabricação em Sandouville. Já o Master E-Tech é produzido em Batilly. No caso do novo Trafic, o grupo prevê iniciar a produção antes do fim de 2026, incorporando uma arquitetura eletrônica centralizada que permite atualizar e administrar funções do veículo por software. A proposta é atender empresas de entregas e operadores de frotas com produtos concebidos desde a origem para a propulsão elétrica.

Para cumprir a promessa de preços mais baixos, a Renault terá de avançar especialmente nas baterias. Sua estratégia tecnológica inclui a química LFP, de lítio-ferro-fosfato, e a solução chamada cell-to-pack, que integra as células diretamente ao conjunto da bateria, simplificando sua construção. A Ampere estabeleceu como objetivo reduzir em cerca de 20% o custo das baterias com essas tecnologias e diminuir em 40% os custos entre a primeira e a segunda geração de seus elétricos do segmento C até 2028. São metas anunciadas anteriormente, que dão contexto ao compromisso de tornar os carros mais acessíveis.
Acabamento externo do Renault Kardian Vibe
Marcos Camargo Jr. 28.08.2026
Histórico crescente na produção de elétricos O crescimento da produção ajuda a sustentar o discurso de Provost. O executivo afirmou que o grupo fabricou 500 mil veículos na França em 2025 e espera produzir pelo menos 25% a mais em 2026. Isso representa um volume mínimo de 625 mil unidades, em cálculo a partir da projeção apresentada na entrevista.
Multimídia do Renault Kwid Techno 2027
Marcos Camargo Jr. 14.09.2026
Há, entretanto, uma diferença entre a intenção de investir e um programa integralmente detalhado. Em julho, a própria Renault havia mencionado a possibilidade de aplicar outros € 13 bilhões na França dentro do plano estratégico futuREady, também dependendo de condições favoráveis.
Na entrevista, Provost falou em mais de € 10 bilhões para cinco anos, sem esclarecer a relação exata entre as duas cifras. Portanto, os valores não devem ser somados como se fossem pacotes independentes.
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