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União Europeia limita importações de carros híbridos chineses a 350 mil por ano

Acordo prevê restrição às importações por quatro anos e aumenta a pressão para que fabricantes chinesas produzam dentro do bloco

Autos Carros|Marcos Camargo JrOpens in new window

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Concessionária BYD no Reino Unido BYD/Divulgação

A União Europeia acertou com a China um limite inicial de 350 mil veículos híbridos importados por ano, em uma tentativa de conter o avanço desses modelos e proteger sua indústria automotiva. Segundo informações divulgadas por autoridades europeias, a cota será aplicada em 2027 e integra um entendimento com duração de quatro anos. A implementação ainda depende do detalhamento das regras.

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VW Lusson Volkswagen/Divulgação

A estratégia da UE é inédita mas tem o foco protecionista que se repete em vários setores no velho continente. O número mostra o tamanho da mudança pretendida. A estimativa europeia é de que as importações de híbridos chineses alcancem cerca de 800 mil unidades em 2026. Se comparado a essa projeção, o teto de 350 mil representa uma redução de aproximadamente 56%. O mecanismo anunciado prevê crescimento das cotas de até 6% ao ano a partir de 2028.

Concessionária Geely na Polônia Geely/Divulgação

A negociação ganhou força porque os híbridos se tornaram uma alternativa para as fabricantes chinesas ampliarem sua presença na Europa após as barreiras impostas aos elétricos com impostos mais altos. Desde outubro de 2024, os veículos exclusivamente elétricos produzidos na China estão sujeitos a tarifas adicionais contra subsídios, que variam conforme o fabricante. Essas medidas não abrangem os híbridos convencionais e plug-in da mesma maneira.

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Fábrica da Volkswagen na Europa Volkswagen/Divulgação

Na prática, a disputa mudou de endereço dentro das próprias concessionárias. Além dos elétricos, marcas chinesas passaram a oferecer mais modelos que combinam motor a combustão e propulsão elétrica, incluindo SUVs com recarga na tomada. A nova negociação procura limitar também essa frente de expansão.

Fábrica da Volkswagen na Europa Volkswagen/Divulgação

Enquanto autoridades europeias destacam a redução dos volumes, o Ministério do Comércio chinês afirma que o acordo preservará oportunidades de crescimento e garantirá à China uma cota não inferior à de outros países fornecedores. Pequim também sustenta que as medidas não poderão discriminar suas empresas segundo publicação da Reuters.

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Fábrica da Volkswagen na Europa Volkswagen/Divulgação

Com menos espaço para ampliar exportações a partir da China, fabricar dentro da União Europeia passa a ter ainda mais importância para sustentar o crescimento das marcas. Executivos do setor avaliam, por isso, que as cotas podem oferecer apenas um alívio temporário às montadoras europeias: a concorrência continuará, mas com uma parcela maior dos veículos produzida no próprio continente. E isso vem acontecendo. Na cobertura do R7 sobre o Salão de Paris as marcas europeias como Citroën, Renault, Fiat e Peugeot além da própria Volkswagen mostraram reação com elétricos mais em conta e modelos com melhores opção de custo benefício. Assim a indústria se atualiza em torno de uma mudança que é o crescimento da demanda por elétricos pequenos e mais baratos.

Para o Brasil, o acordo pode inspirar una forma de reagir em torno da indústria nacional que está ficando para trás na eletrificação. A primeira é comercial: uma Europa com importações limitadas pode estimular fabricantes chinesas a buscar mais espaço em outros mercados. A cota ajuda a indústria a se adaptar a essa nova demanda. No Brasil o governo federal reagiu com taxas mas elas não impediram o crescimento de marcas como BYD, GWM, Geely, Omoda & Jaecoo, Chery International entre outras que miram o nosso mercado.

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A experiência europeia coloca em debate como combinar acesso a carros mais competitivos com investimentos em fábricas, fornecedores, engenharia e empregos locais. Hoje no Brasil os carros chineses já ocupam 10% do mercado, mesmo percentual observado na União Europeia.

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