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Vendas da Fiat desabam nos EUA mas crescem no Canadá

Fiat 500 vai mal no primeiro trimestre em lojas compartilhadas com linha Alfa Romeo

Autos Carros|Marcos Camargo JrOpens in new window

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Fiat 500 vendido nos EUA e Canadá Fiat/Divulgação

A Fiat volta a registrar queda expressiva nas vendas nos Estados Unidos, reforçando um histórico de dificuldade para se consolidar no maior mercado automotivo do mundo. Os números recentes mostram uma operação praticamente residual, com volumes que não chegam a representar 0,01% do total de veículos vendidos no país.


Só 1.300 veículos em 2025

Em 2025, a marca italiana fechou o ano com pouco mais de 1.300 unidades emplacadas. Já no início de 2026, o cenário se agravou: em janeiro, foram apenas algumas dezenas de carros vendidos, com retração superior a 90% na comparação anual. Na prática, a Fiat opera hoje com presença simbólica no mercado norte-americano, sustentada por um portfólio extremamente limitado.


Atualmente, a marca tem basicamente um único modelo disponível: o Fiat 500e. O hatch elétrico passou a ser a principal — e praticamente única — aposta da empresa nos EUA após a saída de linha do Fiat 500X, que deixou de ser produzido e já não aparece mais nas concessionárias com volume relevante. Essa redução drástica de portfólio ajuda a explicar a queda nas vendas, especialmente em um mercado onde SUVs e picapes dominam a preferência do consumidor.


Loja da Fiat nos EUA Fiat/Divulgação

As lojas Fiat que são quase todas compartilhadas com a linha Alfa Romeo vem fechando as portas em muitas localidades. Em centros de concessionários que ficam em espaços grandes revenda das marcas Jeep, Dodge-Chrysler e RAM, a linha Fiat perde espaço.


O desempenho fraco também está ligado ao posicionamento do produto. O Fiat 500e atua em um nicho bastante específico, de carros urbanos compactos, com preço na faixa dos US$ 30 mil, cerca de R$ 160 mil em valores convertidos. Nesse patamar, o consumidor americano encontra opções maiores, mais potentes e versáteis, o que reduz o apelo do modelo como é o caso de um Equinox EV, versões de acesso da Tesla, Hyundai Ioniq e tantos outros. Além disso, mudanças nos incentivos para veículos elétricos afetaram diretamente a competitividade do hatch, que perde força sem subsídios governamentais.

Histórico de instabilidade

A dificuldade da Fiat nos Estados Unidos, porém, não é recente. A marca já teve um ciclo relevante no país nos anos 1970, quando chegou a vender mais de 100 mil carros por ano. Modelos como o Fiat 124 Spider e o X1/9 ganharam notoriedade, mas problemas de qualidade e confiabilidade afetaram a reputação da empresa, levando a uma queda acentuada nas vendas até a saída do mercado em 1983.

Loja da Fiat nos EUA Fiat/Divulgação

O retorno ocorreu apenas após a parceria com a Chrysler, já na década de 2010, com o lançamento do Fiat 500. O modelo foi o principal símbolo da nova fase da marca, acompanhado por derivações como 500L e 500X. Apesar da boa recepção inicial e do apelo de design, a Fiat não conseguiu sustentar volumes relevantes ao longo do tempo.

Entre os poucos momentos de destaque recente, o Fiat 500 se consolidou como o carro mais conhecido da marca no país, enquanto o 124 Spider moderno teve presença pontual no segmento de nicho. Ainda assim, nenhum desses modelos alcançou escala significativa em um mercado altamente competitivo.

O cenário atual evidencia um desalinhamento estrutural entre o portfólio da Fiat e o perfil do consumidor norte-americano. Enquanto o mercado dos EUA é dominado por SUVs, picapes e veículos de maior porte, a marca mantém foco em carros compactos, com proposta urbana. Essa diferença limita o potencial de crescimento, mesmo com o suporte do grupo Stellantis. Hoje o grupo está mais focado em recuperar a imagem da Jeep e do portfólio da Dodge, Chrysler e até mesmo da Ram que perdeu espaço nos últimos anos.

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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