Volkswagen anuncia corte de 50 mil empregos na Europa enquanto Brasil recebe novos investimentos
Reestruturação tenta recuperar competitividade diante da pressão dos elétricos e da concorrência chinesa

O Grupo Volkswagen iniciou uma das maiores reestruturações de sua história recente e planeja eliminar cerca de 50 mil postos de trabalho na Alemanha até 2030. A medida faz parte de um amplo plano de redução de custos diante da queda na rentabilidade do grupo e da pressão crescente da transição para carros elétricos.
Após um período de crise que começou na China com o crescimento das marcas locais, o atraso da eletrificação na Europa e custos altos, a Volkswagen anunciou o maior plano de reestruturação em mais de 70 anos.
Lucro caiu quase pela metade
O plano de reestruturação foi anunciado após um resultado financeiro abaixo das expectativas. Em 2025, o lucro líquido do grupo caiu 44%, passando de cerca de 12,4 bilhões para 6,9 bilhões de euros.

Segundo executivos da empresa, a redução da rentabilidade está ligada a uma combinação de fatores que vem afetando as montadoras tradicionais com custos elevados da eletrificação, desaceleração da demanda por veículos em alguns mercados, tarifas comerciais e tensões geopolíticas além da perda de participação de mercado na China.
A situação é considerada especialmente sensível porque o país asiático sempre foi o principal mercado global da Volkswagen, responsável por grande parte da rentabilidade da companhia.
Cortes atingem várias marcas do grupo
A redução de cerca de 50 mil empregos deve ocorrer gradualmente até o final da década e envolve várias empresas do conglomerado. Entre as medidas anunciadas estão a redução de cerca de 7.500 empregos na Audi, corte de aproximadamente 3.900 postos na Porsche e reorganização da Cariad, divisão responsável pelos softwares e sistemas digitais do grupo.

A Volkswagen afirma que boa parte das reduções ocorrerá por meio de aposentadorias antecipadas e programas de desligamento voluntário, tentando evitar demissões diretas.
Além dos investimentos bilionários exigidos pela transição energética, as fabricantes do continente enfrentam concorrência cada vez mais agressiva de marcas chinesas, que avançaram rapidamente em tecnologia de baterias e custos de produção. Fabricantes como BYD (com marca própria além da Denza), Geely (com a Volvo, a própria Geely e também Zeekr e Lynk & Co.) e SAIC (com várias marcas e também com a MG) passaram a disputar espaço global com modelos elétricos mais baratos, pressionando as margens das montadoras tradicionais.
Brasil vive momento oposto dentro da estratégia da Volkswagen
Enquanto a Volkswagen promove cortes e reestruturação na Europa, o Brasil vive um cenário completamente diferente dentro da estratégia global da marca.
A operação brasileira é hoje uma das mais importantes do grupo fora da Europa e recebeu recentemente um plano robusto de investimentos, que prevê 16 lançamentos de veículos até o final da década.
O bom momento da Volkswagen no país também se reflete no desempenho comercial. O Polo Track lidera entre os carros mais vendidos do Brasil, o T-Cross mantém a liderança entre os SUVs compactos e a marca segue entre as principais forças do mercado nacional liderando as vendas do varejo. Outro marco importante será a chegada do primeiro carro híbrido nacional da Volkswagen, projeto conhecido internamente como Tukan.
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