Nacionalização da eleição é a maior ameaça a Eduardo Paes no Rio de Janeiro
Nome bolsonarista é ainda desconhecido, mas tem grande margem de crescimento e pode complicar o jogo
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Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Com 33 pontos à frente do segundo colocado na pesquisa do Instituto Real Time Big Data, friamente, daria pra dizer que Eduardo Paes surge como imbatível para as eleições de governador do Rio de Janeiro. Os meandros dos números, todavia, desmentem essa afirmação.
O desconhecimento de Douglas Ruas, candidato apoiado pelo governador Claudio Castro e por Jair Bolsonaro, a discrepância de desempenho de Eduardo Paes entre nichos do eleitorado, em aspectos religiosos e de localidades, a elevada prioridade da temática de segurança pública na próxima gestão e a vantagem de Flávio Bolsonaro sobre Lula são elementos que, quando combinados, podem criar um cenário de grande dificuldade para o líder nas pesquisas.
Enquanto 95% dos entrevistados conseguem emitir alguma opinião sobre Eduardo Paes, 40% do eleitorado não faz ideia de quem seja Douglas Ruas. Isso gera em si uma grande diferença de percepções e impacta na superlatividade dos números.
Quando analisamos a possibilidade de voto, dentro do conhecimento que cada um obtém, vemos que a chance de emparelharem é grande. 60% dos que conhecem Ruas podem votar no candidato governista; 54% dos que conhecem Eduardo Paes também poderiam escolhê-lo.
A tendência nesse caso é que o atual secretário de Cidades do estado do Rio de Janeiro, quando for se tornando mais conhecido e representando algo no processo, seja elevado a patamares bem mais competitivos do que tem hoje. Já Paes tem menos margem de manobra nesse caso.
Regiões como a Baixada Fluminense e a porção Norte Metropolitana da cidade do Rio de Janeiro são os pontos onde há maior concentração de eleitorado evangélico do estado. Não indiferente a isso, Paes buscou em Jane Reis, mulher, evangélica e oriunda de Duque de Caxias, a sua complementação de chapa.
Nesse nicho eleitoral, vemos uma defasagem de votos do prefeito, que pode ser a alça de crescimento de Douglas Ruas. Entre católicos, Paes faz 49% dos votos, 8 pontos percentuais a mais do que entre evangélicos. Inversamente proporcional, Ruas cresce 5 pontos no eleitorado evangélico quando comparado aos católicos.
Filho do prefeito de São Gonçalo, segunda cidade mais populosa do estado, Ruas atinge 17% na região metropolitana, 5 pontos a mais do que na capital, enquanto Paes desaba 10 pontos ao sair da cidade que governa.
A força do bolsonarismo no Rio de Janeiro não pode ser de modo algum desprezada. Na eleição como prefeito em 2024, mesmo com uma gestão muito aprovada, Paes viu um crescimento grande de Alexandre Ramagem, candidato do PL, que chegou a atingir 30% dos votos, saindo de patamares ainda menores do que os de Douglas Ruas.
Em Niterói, por exemplo, Carlos Jordy conseguiu ir para o segundo turno contra o prefeito mais bem avaliado da história da cidade, Rodrigo Neves.
Com Flávio Bolsonaro liderando as pesquisas no estado, o combustível para o crescimento de um voto polarizado é o que pode mexer no jogo. A pauta da segurança pública, bem capturada por Claudio Castro após as operações militares contra as facções criminosas, também reforça a chance de coesão de voto na direita.
Foram poucas as campanhas de governador na eleição de 2022 que não sofreram o impacto dessa polarização eleitoral nacional. Eduardo Leite, no Rio Grande do Sul, e Raquel Lyra, em Pernambuco, correligionários de Paes, no PSD, foram alguns que fugiram dessa regra de verticalização do voto.
Com boas chances de chegar ao Palácio da Guanabara, Paes precisará se inspirar na bem-sucedida experiência de seus colegas partidários para não sofrer um revés ainda pior do que o que teve em 2018 para Wilson Witzel.
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