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Vinte anos de poder: Lula é tábua de salvação para o PT da Bahia

Caso Master, explosão de violência e governo com avaliação problemática são pontos que fortalecem a oposição na corrida ao Palácio da Ondina

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • O governo do PT na Bahia enfrenta uma situação delicada com risco de derrota nas eleições de outubro.
  • O escândalo do Caso Master e a alta desaprovação do governo estadual complicam a situação do partido.
  • ACM Neto busca capitalizar a insatisfação popular e equilibrar sua relação com o bolsonarismo.
  • O PT apresenta uma chapa pura para as eleições, buscando fortalecer sua posição sob a liderança de Lula.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Jerônimo Rodrigues precisa de Lula para conseguir a reeleição na Bahia Reprodução/Instagram/@jeronimorodriguesba

Uma das maiores hegemonias políticas do Brasil está em um de seus momentos mais delicados. O governo petista da Bahia está colocado em prova de fogo, com risco real de derrota nas eleições de outubro.

Diferentemente de cenários anteriores, em que, por mais que os candidatos começassem patinando nas pesquisas, a certeza da boa aprovação da gestão ancorasse a postulação, neste ano, o PT tentará se manter no comando com um governo mais rejeitado do que bem avaliado pelos baianos.


Soma-se a isso um escândalo de proporções enormes, como o do caso Master, que atinge diretamente as duas maiores lideranças do partido.

Quem tenta se aproveitar disso e espera de braços abertos a deserção do eleitorado é ACM Neto. Do ponto de vista político, ganhou ao conseguir tirar Angelo Coronel, senador eleito pelo grupo petista, do outro lado, mas sua dubiedade na eleição nacional pode ser o fator que impeça novamente seu triunfo.


Sem poder assumir o bolsonarismo, mas não podendo prescindir dele, Neto terá que se equilibrar para não fazer com que o lulismo impulsione a reeleição de Jerônimo Rodrigues.

Lula possui 55% das intenções de voto em seu pior cenário testado na pesquisa Real Time Big Data na Bahia. Seu governo tem 58% de aprovação. Um quadro muito distinto do governo estadual, que soma 50% de desaprovação. Nunca, nestas duas décadas de poder, o PT esteve nessa circunstância.


Na eleição anterior, por mais vagarosa que tenha sido a subida de Jerônimo nas pesquisas, era notório que ela ocorreria. Rui Costa terminou o governo com mais de 70% de aprovação e a lógica da continuidade ganhava narrativa e força na disputa.

Um dado importante é que a Bahia tem 417 municípios e Lula venceu as eleições de 2022 em 415 deles. Foram 72% dos votos no segundo turno contra 28% de Bolsonaro. Essa disputa nacional é o espelho que Jeronimo precisa para se manter bem no jogo. Precisa da força nacional de seu líder para compensar a fraqueza de seu governo.


O drama da segurança pública é um ponto relevante, principalmente nas maiores cidades. Neto tenta reencarnar o espírito de seu avô, Antônio Carlos Magalhães, reconhecido pela tolerância zero na pauta do combate à violência.

As facções criminosas dominam as periferias da região metropolitana de Salvador, principalmente, e aterrorizam os moradores, que colocam o assunto como prioritário para ser enfrentado pelo próximo governo. A cada três entrevistados, um deles diz que segurança pública é o ponto central da discussão eleitoral.

Com alguma fadiga de material, principalmente pela derrota expressiva da última eleição, ACM Neto precisa se reinventar e não deixar a lógica do “Time do Lula” ser o fio condutor da discussão.

O PT irá com chapa pura pra eleição. O candidato ao governo e os dois postulantes ao Senado são todos do PT. São os três últimos governadores, Jerônimo Rodrigues, Rui Costa e Jacques Wagner, unidos em uma só frente, liderada nacionalmente por Lula. Um Dream Team eleitoral para tentar a manutenção do poder.

O partido de Neto, o União Brasil, surfa em todas as ondas. Tem ministro com Lula, tem apoiadores fiéis de Flávio Bolsonaro e não permitiu candidatura própria de um de seus principais nomes, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, que acabou se debandando para o PSD.

É possível que o partido mantenha neutralidade nacional e libere os estados para construir suas candidaturas. É nesse jogo que Neto precisará se encontrar. Ser Bolsonaro na Bahia poderá levá-lo à derrota. Não ser nada, pode mostrar fraqueza, e ser Lula parecerá oportunismo e traição.

Tendo a melhor possibilidade desde que o PT assumiu o governo baiano para derrotá-los, a oposição terá um grande trabalho para convencer o eleitor baiano de que Neto, que já ameaçou lá atrás dar uma surra em Lula (e depois se arrependeu da fala), terá o equilíbrio necessário para se mostrar resolutivo para os problemas locais e amplo para não isolar a Bahia do plano federal.

O fato é que, apesar das centenas de desafios que o estado tem para resolver, o que se desenha é que Lula será novamente o nó de todas as questões e como se relacionar com ele em todos os aspectos definirá o resultado eleitoral.

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