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‘Vim, vi, venci’: como os chineses tomaram o mercado automotivo brasileiro

A participação deles nas vendas é de 15% e, mantendo o ritmo, chegarão a 20% até o final do ano que vem

Blog do Galante|Raphael GalanteOpens in new window

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Marcas chinesas aumentam participação no mercado automotivo brasileiro, alcançando 15% das vendas.
  • Teoria de Schumpeter explica como preços altos atraem novos concorrentes e criam queda de preços.
  • Aumento de preços de veículos entre 2020 e 2022 aconteceu devido à pandemia e escassez de semicondutores.
  • Montadoras chinesas aproveitaram a oportunidade e invadiram o mercado, enquanto montadoras tradicionais ficaram inativas.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Linha de produção da BYD no Complexo de Camaçari, na Bahia Rafael Martins/Reuters - 03.02.2026

Caros leitores, digníssimas leitoras, acreditamos que um dos grandes questionamentos do pessoal da indústria automotiva é tentar justificar a avalanche de vendas dos carros chineses em terras tupiniquins.

Afinal de contas, os chineses deram uma de imperador Júlio César: Vim, vi, venci!


Hoje as marcas de carros chinesas são, praticamente, as únicas que estão crescendo forte nos últimos anos. A participação delas nas vendas é de 15% e, mantendo o ritmo, chegarão fácil-fácil a 20% até o final do ano que vem.

E aí, a grande pergunta que fica é:


Por que raios isso aconteceu tão facilmente?

Embora não haja uma resposta única, a teoria econômica de Schumpeter ajuda a entender boa parte desse fenômeno.


Para auxiliar, a gente mandou o estagiário rever todos os livros de economia para achar a melhor explicação para você, caro leitor. Então vamos lá:

O economista Joseph Schumpeter criou a: Teoria dos Lucros Extraordinários e Entrada Competitiva.


Deixa-me mostrar como funciona esta teoria:

1.º - As empresas (neste caso aqui – as montadoras) elevam demais seus preços para maximizar lucros;

2.º - Esses lucros “acima do normal” aparecem (nos balanços publicados);

3.º - Novos concorrentes são atraídos (aqui as montadoras chinesas);

4.º- A oferta aumenta. Com mais empresas, a competição cresce;

5.º - O preço cai. O mercado converge para um preço mais baixo, reduzindo os lucros ao nível “normal”.

A grosso modo, a teoria de Schumpeter é essa! Numa visão mega resumida, seria:

Preços acima do nível competitivo geram lucros extraordinários; lucros extraordinários atraem novas firmas; a entrada de novas firmas aumenta a oferta e pressiona o preço para baixo até o lucro voltar ao nível normal.

E o que tivemos nos últimos 6-7 anos?

Entre 2020 e 2022, os preços dos automóveis no Brasil subiram de forma acelerada devido a choques simultâneos na cadeia produtiva. A pandemia da Covid-19 reduziu a capacidade industrial, interrompeu fluxos logísticos e elevou custos de insumos como aço e resinas.

O fator mais crítico foi a escassez global de semicondutores, que limitou a produção e gerou forte restrição de oferta.

O desequilíbrio entre oferta reduzida e demanda “resiliente” resultou em aumentos de preços acima da inflação geral e em níveis historicamente elevados para veículos novos e usados.

Com poucos carros disponíveis, os preços subiram como nunca. Modelos antes considerados populares passaram a custar valores impensáveis poucos anos antes. Foi um período em que o mercado automotivo viveu um choque perfeito: pouca oferta, custos altos e consumidores disputando o que havia nas concessionárias.

No período de 2020 até 2022, todas as montadoras ganharam muito dinheiro! Mas, quando eu falo em muito dinheiro, é: MUITO DINHEIRO, MESMO!

Se você vir alguma montadora falando que ela não ganhou dinheiro nesta época, das duas uma: ou eles estão mentindo, ou eles são muito ruins!

Mas como o estagiário aqui é de economia, ele precisa comprovar a sua tese. O que ele fez? Pegou dois veículos e escolhemos o Fiat Argo (3.º veículo mais vendido deste ano) e o VW T-Cross (4.º veículo mais vendido).

Pegamos uma versão que existia desde 2020 e fomos levantando o preço dos dois carros no período de 2020 até 2026. E, por fim, correlacionarmos com a inflação (o IPCA).

O impacto da inflação Reprodução

Perceba os dados do ano de 2022. Tivemos uma inflação acumulada de 15%, contra um aumento de 40% do preço do Argo e de 44% no preço da T-Cross.

Ou seja, o preço aqui tinha aumentado quase três vezes mais que a inflação do período.

E aqui foi onde as montadoras instaladas no Brasil abriram a caixa de pandora!

A escalada de preços dos modelos tradicionais criou uma janela de oportunidade para marcas chinesas entrarem com vontade no mercado brasileiro e passaram a oferecer:

  • Tecnologia superior (elétricos e híbridos);
  • Preços mais baixos que concorrentes equivalentes;
  • Equipamentos mais completos na mesma faixa de preço.

O grande ponto aqui é que, quando as empresas “criam” um processo desse, elas demoram “uma eternidade” para tomar contramedidas para tentarem voltar ao statu quo.

A invasão chinesa está sendo avassaladora e as montadoras que estavam antes aqui ainda “não se mexeram direito” para tentar resolver a situação. Com isso, a cada dia que passa, elas continuam sangrando e sangrando!

Em resumo, o mercado brasileiro viveu o ciclo clássico de Schumpeter: preços altos abriram espaço para novos competidores — e os chineses não perderam tempo em ocupar o trono.

E aí? O que achou?

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