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O ‘boom’ no mercado automotivo brasileiro é apenas ilusão; entenda o motivo

Impulso nas vendas registrado no começo do ano se deve às locadoras de veículos

Blog do Galante|Raphael GalanteOpens in new window

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • O mercado automotivo brasileiro registrou um aumento de 16,7% nas vendas de veículos novos no primeiro quadrimestre de 2023.
  • Esse crescimento foi impulsionado principalmente pelas locadoras de veículos, que compraram 70% a mais do que no ano anterior.
  • Embora os números pareçam positivos, ao excluir as vendas para locadoras, o crescimento real é de apenas 6%, dentro das expectativas iniciais.
  • O aumento nas vendas para locadoras pode gerar consequências negativas, como pressão por preços baixos, desvalorização acelerada de seminovos e risco de acomodação das montadoras.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Vendas de carros novos cresceram quase 20% em abril: 235,9 mil unidades Imagem gerada por IA via ChatGPT

Caros leitores, digníssimas leitoras, encerrado o primeiro quadrimestre, o mercado automotivo brasileiro registrou uma alta de 16,7% nas vendas de veículos novos. Foram 834 mil unidades contra 714 mil no mesmo período do ano passado.

E com razão. Esse crescimento de quase 17% está completamente fora da casinha. Todas as projeções — de montadoras, concessionárias, consultorias e analistas — apontavam para um avanço entre 3% e 5% em 2026. Agora, 17%? Não teve um único “J”ênio que ousou prever isso.


Neste texto, vou fugir do tradicional. Não vou repetir que a Fiat segue líder, que as chinesas estão voando, que a Strada continua imbatível ou que o T‑Cross é o SUV mais vendido.

O ponto aqui é outro: entender de onde veio esse crescimento utópico. Porque, sejamos honestos, não há indicador econômico que justifique esse salto.


Então fomos atrás do responsável. E ele tem nome e sobrenome: as locadoras de veículos.

Os números que explicam tudo: neste ano, estimamos 204 mil veículos vendidos para locadoras. No mesmo período de 2025, foram 121 mil. Uma alta de 70%.


Cidades como Belo Horizonte e Curitiba — tradicionalmente campeãs em emplacamentos de frotas — dispararam. BH cresceu mais de 60%. Curitiba, 112%.

O que isso significa? Que 1 em cada 4 carros vendidos no Brasil hoje vai para uma locadora (25% do total vendido). No ano passado, eram 17%. Um salto de 8 pontos percentuais.


E, quando olhamos para as quatro maiores marcas (Fiat, VW, GM e Hyundai), vemos que 35% das vendas delas (na média) foram para locadoras.

O cálculo que revela o “crescimento real”. Fizemos a conta inversa: se excluirmos as vendas para locadoras, o mercado teria vendido:

  • 594 mil veículos no ano passado
  • 630 mil veículos neste ano

Ou seja: crescimento real de 6%, exatamente dentro das previsões iniciais. Nada de milagre. Nada de resiliência. Apenas frota. E qual o problema disso?

Vários. E sérios.

  • Pressão por preços muito baixos: locadoras compram em volume e exigem descontos agressivos. Resultado: margens menores para montadoras e preços maiores para o consumidor comum.
  • Ciclos artificiais de produção: quando as locadoras compram, a produção dispara. Quando param, despencam. Instabilidade total na cadeia.
  • Desvalorização acelerada dos seminovos: com frotas renovadas a cada 17 meses (em média, segundo a ABLA — o estagiário acha que é mais rápido), milhares de carros entram no mercado ao mesmo tempo, derrubando preços.
  • Pouca fidelização do consumidor final: vender para locadora não cria cliente. Cria dependência.
  • Risco de acomodação das montadoras: se as locadoras “salvam” o ano (como fizeram em 2022), por que inovar? Por que ajustar preços? O mercado fica menos competitivo.
  • Dependência perigosa: se uma grande locadora muda de estratégia, uma montadora perde dezenas de milhares de vendas de uma vez. E lembre-se: as marcas do TOP 4 já colocaram 35% da produção nas mãos delas.

O crescimento de 17% não é um boom de demanda. É um boom de frotas. E isso tem consequências — para preços, para produção, para o consumidor e para o futuro do setor.

E aí? O que achou?

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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