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Ciência para o Dia a Dia

Cuidados com a pele: tratamento com colágeno pode ser só marketing

Análise de 23 ensaios clínicos revela que os benefícios desaparecem em estudos independentes e de melhor qualidade

Ciência para o Dia a Dia|Camille Perella CoutinhoOpens in new window

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Um estudo analisou 23 ensaios clínicos sobre o uso de colágeno para a pele.
  • Resultados indicam que benefícios do colágeno desaparecem em estudos independentes, sem financiamento da indústria.
  • O colágeno derivado de peixe apresentou resultados consistentes, enquanto o bovino e o de frango não mostraram efeitos significativos.
  • Não há evidência clínica confiável de que suplementos de colágeno tratem o envelhecimento da pele, reforçando a necessidade de estudos rigorosos e independentes.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

O que a ciência descobriu sobre suplementos de colágeno Imagem Gerada por AI

Um estudo publicado no The American Journal of Medicine reuniu todos os ensaios clínicos de qualidade sobre colágeno e fez uma análise rigorosa. Foram 23 pesquisas, quase 1.500 voluntários, testando diferentes tipos e doses de colágeno.

À primeira vista, olhando todos os resultados juntos, até parece haver alguma melhora em hidratação, elasticidade e rugas. Mas quando os cientistas analisaram os detalhes, a história mudou.


Nos trabalhos independentes, sem financiamento da indústria farmacêutica, o colágeno não mostrou efeito significativo em nenhuma das três categorias. Já nas pesquisas patrocinadas por empresas, apareceram ganhos em todos os desfechos, de pele mais hidratada a menos rugas.

O mesmo aconteceu quando os estudos foram avaliados pela qualidade: os bem conduzidos não mostraram benefício algum, enquanto os de baixa qualidade sugeriram melhora da elasticidade.


Alguns pontos chamam atenção. O colágeno derivado de peixe foi o único que apresentou resultados consistentes, enquanto o bovino e o de frango não mostraram efeito.

Suplementos em forma de bebida pareceram mais eficazes do que cápsulas ou pó, mas esses dados vieram de trabalhos com alto risco de viés. Até mesmo a região fez diferença.


Estudos conduzidos na Ásia, sobretudo na Coreia, Japão e China, mostraram resultados mais positivos do que aqueles feitos na Europa e nas Américas.

Outro dado importante é que, quando os pesquisadores retiraram do cálculo estudos com efeitos “milagrosos” demais, os resultados despencaram. No caso das rugas, o suposto efeito desapareceu. Para hidratação e elasticidade, o impacto caiu bastante.


Na prática, a conclusão é dura para a indústria de suplementos. Hoje não existe evidência clínica confiável de que ingerir colágeno previna ou trate o envelhecimento da pele. A melhora vista em parte dos estudos parece estar mais ligada a quem financiou a pesquisa ou às falhas metodológicas do que a um real efeito biológico.

Isso não significa que a ciência tenha desistido do assunto. Existem pistas de que fragmentos do colágeno poderiam estimular a produção de ácido hialurônico e elastina, substâncias importantes para a firmeza e a hidratação da pele.

Mas até que novos estudos, maiores e independentes, confirmem essa hipótese, cápsulas e pós de colágeno continuam sendo mais moda do que ferramenta de saúde.

É justamente aí que entra a estatística. Sem análises sólidas, bem conduzidas e livres de conflito de interesse, qualquer alimento ou suplemento pode parecer milagroso. Só a ciência, com números e métodos rigorosos, é capaz de separar marketing de realidade.

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