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Ciência para o Dia a Dia

Alimentação brasileira pode ajudar quem tem colesterol alto por herança genética

O manual está disponível no site do Ministério da Saúde, para quem quiser conhecer melhor

Ciência para o Dia a Dia|Aline Marcadenti

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As cores da bandeira do Brasil vão indicar uma alimentação mais saudável Unsplash/Ella Olsson

Você sabia que existe um tipo de colesterol alto que é passado de geração a geração? Essa condição se chama hipercolesterolemia familiar (HF). Ela é genética e afeta cerca de 1 em cada 250 brasileiros, segundo um estudo chamado ELSA-Brasil.

Quem tem HF costuma apresentar níveis muito altos de colesterol LDL, conhecido como “colesterol ruim”. Esse tipo de colesterol pode se acumular nas artérias e aumentar bastante o risco de doenças do coração, como infarto. Por isso, quanto mais cedo a HF for descoberta, maiores são as chances de evitar complicações cardíacas.


RESUMO DA NOTÍCIA

  • A hipercolesterolemia familiar (HF) é uma condição genética que afeta 1 em cada 250 brasileiros.
  • A Alimentação Cardioprotetora Brasileira (DICA Br) foi desenvolvida para ajudar no controle do colesterol alto.
  • Testes iniciais mostraram que a DICA Br pode reduzir substâncias relacionadas ao risco de infarto em pacientes com HF.
  • A nova fase do estudo DICA-HF busca conscientizar e facilitar o diagnóstico precoce da HF, recrutando mais voluntários.

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Para ajudar nisso, o Instituto de Pesquisa do Hcor (IP-Hcor), junto com o Ministério da Saúde e em parceria com o PROADI-SUS (Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde), criou a Alimentação Cardioprotetora Brasileira, também chamada de DICA Br.

Esse jeito de se alimentar foi pensado especialmente para os brasileiros e usa como inspiração as cores da bandeira do Brasil:


Verde: alimentos que você deve comer mais vezes por dia, como frutas, legumes, verduras, feijão e leite ou derivados com pouca gordura.

Amarelo: alimentos que devem ser consumidos com moderação, como pães, massas, cereais e gorduras boas, como óleo de soja e azeite de oliva.


Azul: alimentos que devemos comer em menor quantidade, como carnes gordurosas, manteiga, ovos e doces caseiros. Esses costumam ter mais colesterol, gordura ruim e sal.

Aline Marcadenti é nutricionista, doutora em Ciências Cardiovasculares pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e pesquisadora do Hospital do Coração (Hcor), com bolsa de produtividade em pesquisa do CNPq.

Os alimentos ultraprocessados estão classificados em um grupo chamado “vermelho”, e como essa cor não faz parte da bandeira do Brasil, isso significa que devemos evitar o consumo desses alimentos.


O manual da DICA Br está disponível no site do Ministério da Saúde, para quem quiser conhecer melhor.

A boa notícia é que essa alimentação foi testada em pessoas com HF, na primeira fase (piloto) de um estudo chamado DICA-HF, e mostrou resultados animadores. Nesta etapa inicial, 58 pessoas com colesterol alto por herança genética seguiram a DICA Br por quatro meses. Algumas também usaram suplementos, como fitosteróis ou óleo de krill, enquanto outras seguiram apenas a alimentação.

Todas fizeram teste genético, e 28 tiveram a confirmação de que apresentavam um gene para HF. Todos os grupos, tanto os que tomaram suplementos quanto os que não utilizaram, tiveram melhora na qualidade da alimentação e redução de uma substância chamada lipoproteína(a), ligada ao risco de infarto, em 14%.

Também foi observada a diminuição do LDL oxidado, uma forma de colesterol que se deposita nas artérias. Ou seja, a DICA Br pode, sim, ajudar no tratamento da HF.

O principal objetivo do projeto DICA-HF é conscientizar mais pessoas sobre a HF, facilitar o diagnóstico precoce e melhorar as opções de tratamento. Agora, uma nova fase do estudo já começou, envolvendo ainda mais participantes. Esse trabalho está sendo feito em parceria com o Ministério da Saúde, o PROADI-SUS, a Associação Brasileira de Hipercolesterolemia Familiar (AHF) e centros parceiros em quase todo o Brasil.

Ainda estamos selecionando voluntários.

Se você tem colesterol LDL muito alto, que vem de família e tem mais de 16 anos, entre em contato com a equipe do IP-Hcor pelo telefone (11) 94136-0046 ou se inscreva pelo site.

Este trabalho conta com fomento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

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