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Ciência para o Dia a Dia

E se a fibra alimentar fosse tratada como um nutriente essencial de verdade?

Por que seguimos tratando como coadjuvante um componente da dieta que protege o intestino, o metabolismo e até o risco de câncer

Ciência para o Dia a Dia|Camille Perella CoutinhoOpens in new window

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A fibra alimentar é proposta como um nutriente essencial, semelhante a proteínas, vitaminas e minerais.
  • A falta de fibra na dieta pode levar a problemas de saúde, como diabetes e câncer colorretal.
  • A atual dieta baseada em produtos ultraprocessados contribui para a baixa ingestão de fibras.
  • Reconhecer a fibra como essencial pode mudar a forma como abordamos a alimentação saudável e melhorar a saúde pública.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Fibra não é suplemento, é comida Imagem Gerada por AI

Quando a gente fala em nutrientes essenciais, quase todo mundo pensa logo em proteínas, vitaminas e minerais. A fibra, quando aparece, costuma vir com aquele rótulo meio tímido de “importante para o intestino”. Mas uma discussão recente puxada por pesquisadores da Nova Zelândia e publicado na Nature propõe tratar a fibra alimentar oficialmente como um nutriente essencial.

A fibra não é produzida pelo nosso organismo, precisa vir da alimentação e, quando falta, os prejuízos aparecem. Não só no intestino preso, mas no aumento do risco de diabetes, doenças cardiovasculares e câncer colorretal. Mesmo assim, ela ainda ocupa um lugar secundário nas políticas nutricionais e na forma como falamos de alimentação saudável.


O curioso é que o problema não é falta de evidência científica. Há décadas sabemos que dietas ricas em fibras estão associadas a melhores desfechos de saúde.

O problema é prático: a maioria das pessoas consome muito menos fibra do que deveria. Na Nova Zelândia, por exemplo, a ingestão média diária fica abaixo das recomendações. No Brasil, a situação não é muito diferente.


Parte disso tem a ver com o padrão alimentar atual, cada vez mais baseado em produtos ultraprocessados, pobres em fibras e ricos em açúcares, gorduras e sódio.

Nesse cenário, reconhecer a fibra como nutriente essencial não seria apenas uma mudança de nomenclatura. Poderia fortalecer mensagens de saúde pública, influenciar guias alimentares, incentivar a reformulação de alimentos e ajudar as pessoas a entenderem que fibra não é detalhe, é base.


Outro ponto importante é que hoje já sabemos que a fibra não age sozinha. Ela alimenta a microbiota intestinal, participa da regulação da glicose, do colesterol e da inflamação. Ou seja, seus efeitos vão muito além do intestino. Ignorar isso é continuar tratando como acessório algo que é estrutural para a saúde.

Talvez esteja na hora de mudar o jeito como falamos de fibra. Não como um “extra” para quem quer melhorar a digestão, mas como um componente central de uma alimentação adequada. Reconhecê-la como nutriente essencial pode ser um passo simbólico, mas poderoso, para colocar esse tema no lugar que ele merece.


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