Insegurança alimentar está ligada a mais sintomas de depressão, mostra estudo brasileiro
Pesquisa com adultos atendidos em programa comunitário universitário aponta que falta de acesso regular à alimentação adequada também pode comprometer a saúde mental
Ciência para o Dia a Dia|Saulo Gil
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A insegurança alimentar, muitas vezes associada apenas à fome ou à dificuldade de acesso a alimentos, também pode ter impacto importante sobre a saúde mental. É o que mostra um estudo brasileiro que identificou maior presença de sintomas de depressão entre pessoas que vivem algum grau de privação alimentar.
O estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Santo Amaro (Unisa), em São Paulo, analisou 315 adultos atendidos em um programa comunitário universitário entre março de 2024 e março de 2025.
Os resultados indicam que participantes em situação de insegurança alimentar apresentaram escores mais elevados de sintomas depressivos quando comparados àqueles com segurança alimentar.
De acordo com o estudo, 58% da amostra vivia algum nível de insegurança alimentar. Entre os participantes nessa condição, a média de sintomas de depressão foi superior à observada no grupo com acesso regular e adequado aos alimentos.
Os dados reforçam uma preocupação crescente entre especialistas de que a privação alimentar não afeta apenas a saúde física, mas também o equilíbrio emocional e psicológico. A incerteza sobre ter comida suficiente em casa, o estresse financeiro e a pior qualidade da alimentação podem contribuir para o agravamento do sofrimento mental.
Embora a relação com os sintomas depressivos tenha sido identificada de forma consistente, o estudo não encontrou associação estatisticamente significativa entre insegurança alimentar e sintomas de ansiedade.
Também não foram observadas diferenças relevantes em indicadores cardiometabólicos, como índice de massa corporal e relação cintura-quadril, entre os grupos avaliados. Para o professor Saulo Gil, docente da Unisa e líder da pesquisa, o impacto da insegurança alimentar sobre a saúde mental pode ocorrer por diferentes caminhos.
“Há um componente nutricional importante, já que a pior qualidade da dieta pode reduzir a ingestão de nutrientes essenciais ao funcionamento cerebral. Mas também existem impactos sociais e emocionais, como o estigma, a instabilidade econômica e o estresse contínuo de não saber se haverá alimento suficiente em casa”, explica.
Apesar dos resultados, os pesquisadores ponderam que o estudo tem desenho transversal, o que significa que os dados foram analisados em um único momento e, por isso, não permitem afirmar uma relação direta de causa e efeito.
Ainda assim, os achados reforçam que a insegurança alimentar precisa ser compreendida como um desafio amplo de saúde pública, com efeitos que vão além da alimentação. Segundo o professor Saulo Gil, da Unisa, o enfrentamento desse problema exige uma resposta mais abrangente do poder público.
“Não se trata apenas de garantir alimento, mas de proteger o bem-estar e a saúde mental das pessoas. Políticas de redução da pobreza, promoção do acesso a alimentos saudáveis e fortalecimento da proteção social são fundamentais para enfrentar esse cenário”, destaca.
O artigo completo intitulado “Impact of Food Insecurity on Symptoms of Depression, Anxiety, and Cardiometabolic Risk Factors: A Cross-sectional Study” pode ser lido na integra no link https://link.springer.com/article/10.1007/s11126-026-10274-7.
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