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Ciência para o Dia a Dia

O cérebro do bebê começa a aprender ainda na barriga, e a poluição pode atrapalhar

Um estudo mostra que a poluição do ar na gravidez pode afetar o desenvolvimento cognitivo de bebês nos primeiros meses de vida

Ciência para o Dia a Dia|Camille Perella CoutinhoOpens in new window

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Estudo revela que a poluição do ar durante a gravidez pode prejudicar o desenvolvimento cognitivo dos bebês.
  • A exposição a altos níveis de poluição está associada a uma diminuição da curiosidade nos bebês observados aos 6 e 18 meses.
  • A qualidade do ar não é uma escolha individual, mas sim um reflexo da organização urbana e política das cidades.
  • Cuidar do desenvolvimento infantil começa antes do nascimento, afetando o ambiente em que a mãe vive e respira.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

O ar da cidade também chega ao bebê ainda na barriga Imagem Gerada por AI

Quando a gente pensa em desenvolvimento infantil, quase sempre imagina o que vem depois do nascimento. Amamentação, estímulos, brinquedos, escola, afeto. Pouca gente para para pensar que muita coisa já está sendo decidida antes mesmo do bebê nascer.

Agora imagine o seguinte, enquanto a mãe caminha pela cidade, pega trânsito, respira o ar do dia a dia, esse mesmo ar também chega até o bebê em formação. Invisível, silencioso e constante.


Um estudo recente mostrou algo que dá um aperto no peito. Bebês que foram expostos ainda na barriga da mãe a níveis mais altos de poluição do ar apresentaram sinais de pior desenvolvimento cognitivo já nos primeiros meses de vida. Não estamos falando de algo abstrato ou distante no tempo. Isso foi observado aos 6 e aos 18 meses de idade.

Os pesquisadores não pediram para os bebês falarem ou resolverem problemas. Eles apenas observaram para onde o olhar ia. Bebês saudáveis tendem a olhar mais para o que é novo. É assim que o cérebro aprende, reconhecendo padrões e se interessando pelo diferente. Quando essa curiosidade diminui, algo ali pode não estar funcionando tão bem.


E foi exatamente isso que apareceu. Quanto maior a exposição da mãe à poluição durante a gravidez, menor era essa resposta de curiosidade nos bebês. Talvez o mais duro seja perceber que isso não tem a ver com escolhas individuais. Ninguém escolhe respirar ar poluído. Ninguém escolhe morar perto de avenidas movimentadas, ônibus, caminhões ou indústrias porque quer prejudicar um filho. Isso é resultado de como as cidades são organizadas, de quais corpos acabam mais expostos e de quem paga o preço do progresso.

A gravidez é um período delicado. O cérebro do feto está sendo desenhado ali, célula por célula, conexão por conexão. Qualquer inflamação, qualquer estresse ambiental, pode interferir nesse processo. Às vezes de forma sutil, mas persistente.


Cuidar da infância não começa no berço. Começa no ar que circula nas ruas, no transporte público, no planejamento urbano, nas decisões políticas que parecem distantes, mas que entram no corpo todos os dias.

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