O poder do maracujá brasileiro na saúde cardiovascular
Pesquisadores da USP mostram que o fruto pode reduzir inflamações e melhorar o metabolismo do colesterol

O maracujá é uma das joias da biodiversidade brasileira. Entre as dezenas de espécies nativas, uma delas vem chamando atenção dos cientistas, a Passiflora tenuifila, cultivada no Cerrado e popularmente conhecida como maracujá-alho. Um estudo recém-publicado por pesquisadores da Universidade de São Paulo mostrou que o consumo do fruto em pó pode ajudar a reduzir a inflamação e a melhorar o funcionamento dos vasos sanguíneos em pessoas com sobrepeso. O trabalho foi publicado na revista científica Food & Function, da Royal Society of Chemistry, uma das mais respeitadas do mundo nas áreas de nutrição e metabolismo, o que reforça o reconhecimento internacional da pesquisa feita no Brasil.
Durante duas semanas, voluntários consumiram 10 gramas do pó de P. tenuifila por dia, o equivalente a quatro frutas frescas. O resultado foi promissor. Os níveis de marcadores inflamatórios, como a interleucina-6 (IL-6) e a molécula de adesão ICAM-1, caíram de forma significativa. Ao mesmo tempo, aumentaram as concentrações de nitrito no sangue, substância associada à produção de óxido nítrico, essencial para a dilatação dos vasos e a boa circulação.
Mas o destaque do estudo vai além dos exames de sangue. A equipe analisou a expressão de milhares de genes e descobriu que o maracujá modula mais de 370 deles, incluindo o ABCA1, um gene-chave na regulação do colesterol e na formação do HDL, conhecido como o “bom colesterol”. Em outras palavras, o fruto parece atuar diretamente sobre redes genéticas que controlam inflamação, metabolismo de lipídios e sensibilidade à insulina.
Os pesquisadores também identificaram que compostos como proantocianidinas e flavonoides C-glicosilados, abundantes na P. tenuifila, podem estar por trás desses efeitos. Essas substâncias, presentes em menor quantidade em outros alimentos, têm propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias que ajudam a proteger o sistema cardiovascular.
Segundo a nutricionista Isabella Duarte, que conduziu o trabalho, “todos esses anos de pesquisa nos confirmam que os frutos da nossa biodiversidade são verdadeiras joias medicinais. Seu teor de nutrientes e antioxidantes, em combinações únicas e proporções muito especiais, reforçam a importância de continuarmos estudando e preservando essa riqueza natural do Brasil”.
O estudo foi liderado pelos professores Franco Maria Lajolo e Neuza Mariko Aymoto Hassimotto, do Departamento de Alimentos e Nutrição Experimental da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP, e desenvolvido no Food Research Center (FoRC-USP). A pesquisa contou com a colaboração de cientistas da Embrapa Cerrados, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (USP) e da North Carolina State University, nos Estados Unidos. O trabalho teve apoio da Fapesp, por meio do Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) do FoRC, e do CNPq, reforçando a importância do financiamento público na geração de conhecimento de ponta no Brasil.
Quer saber mais sobre o estudo? Fale com a pesquisadora Isabella Duarte no Instagram @nut.isabella.duarte.
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