O prato da mãe reflete no prato do filho, mostra estudo com 28 mil famílias
Quanto mais variada a alimentação das mulheres, maior a chance de os filhos pequenos também se alimentarem bem
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O que uma mãe coloca no prato pode influenciar diretamente a saúde e os hábitos alimentares do seu filho. Um estudo recente, publicado na revista Maternal & Child Nutrition, analisou 28.787 mães e crianças de 6 a 23 meses em 11 países de baixa e média renda e trouxe um resultado claro: a diversidade da dieta materna está fortemente ligada à diversidade da dieta infantil.
As mães costumavam consumir mais grupos de alimentos do que os filhos, mas quando a dieta delas era variada, com pelo menos cinco grupos de alimentos diferentes, a probabilidade de a criança também ter uma alimentação adequada aumentava muito.
Apesar da relação positiva, algumas diferenças chamaram atenção. As mães comiam mais leguminosas, carnes e vegetais ricos em vitamina A, enquanto as crianças consumiam mais ovos, laticínios e bebidas açucaradas.
O estudo reforça que investir em educação alimentar para famílias pode ser uma das formas mais eficazes de combater a má nutrição que atravessa gerações. Quando a mãe se alimenta melhor, mais chances o filho tem de comer bem e crescer saudável.
A nutricionista Michele Polini Ribotta Costa lembra que a importância da alimentação materna começa antes mesmo da gestação.
“Tudo se inicia desde a concepção e perdura até a fase da introdução alimentar. Esse período, que inclui o aleitamento materno, compreende os chamados 1100 dias, do momento pré-concepção até o segundo ano de vida do bebê. É nesse intervalo que todo o paladar da criança é moldado, influenciado tanto por fatores genéticos quanto ambientais. O aleitamento materno exerce papel central nesse processo, ajudando na modulação do paladar e no fortalecimento do vínculo mãe e filho”, explica.
Ela ressalta ainda que durante a gestação ocorre o chamado imprinting metabólico, que regula de forma intensa a expressão dos genes. “Por isso, é fundamental o cuidado com o peso corporal e a alimentação nesse período, pois esses fatores fazem toda a diferença para a saúde da mãe e do bebê”, destaca.
Segundo Michele, uma dieta materna baseada em alimentos ultraprocessados, associada ao sedentarismo, à obesidade e a comorbidades como diabetes e hipertensão, pode ter reflexos diretos no futuro da criança, aumentando o risco de obesidade e síndrome metabólica na vida adulta.
Esses achados mostram que cuidar da alimentação materna não é apenas uma escolha individual, mas um investimento em saúde pública. Orientar e apoiar as mães para que tenham acesso a uma dieta variada, nutritiva e acessível pode transformar gerações, garantindo não só o crescimento adequado das crianças, mas também adultos mais saudáveis no futuro.
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