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Ciência para o Dia a Dia

O que acontece no sangue quando a gente se exercita

E por que isso pode mudar a forma como pensamos prevenção e câncer

Ciência para o Dia a Dia|Camille Perella CoutinhoOpens in new window

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Exercício físico muda o que circula no nosso sangue e essas mudanças são capazes de conversar diretamente com células tumorais RENATO S. CERQUEIRA/ATO PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO - 21.12.2025

Durante muito tempo, falar que atividade física protege contra o câncer soava quase como um conselho genérico. Algo do tipo “faz bem para tudo”, mas sem explicar exatamente como. Aos poucos, a ciência começa a preencher esse vazio com detalhes surpreendentes.

Um estudo recente publicado no International Journal of Cancer mostrou que o exercício não atua apenas de forma indireta, por controle de peso ou inflamação. Ele muda o que circula no nosso sangue e essas mudanças são capazes de conversar diretamente com células tumorais.


No trabalho, pesquisadores coletaram sangue de adultos logo antes e logo depois de um teste intenso de exercício. A partir desse sangue, foi obtido o soro, a parte líquida que permanece após a remoção das células e dos fatores de coagulação e que carrega proteínas, hormônios e outras moléculas circulantes. Em laboratório, esse soro foi colocado em contato com células de câncer de cólon. O resultado chama atenção: o soro coletado após o exercício ajudou essas células a reparar melhor danos no DNA e, ao mesmo tempo, reduziu sinais associados à proliferação celular.

O corpo em movimento libera moléculas que mudam o ambiente interno de forma sutil, mas profunda. São proteínas inflamatórias e metabólicas que passam a circular no sangue e ativam vias ligadas à proteção do DNA e ao funcionamento das mitocôndrias. Com isso, as células tendem a usar energia de maneira mais eficiente e a se comportar de forma menos agressiva.


Isso não quer dizer que exercício seja tratamento ou que substitua terapias oncológicas. O próprio estudo deixa claro que estamos falando de um modelo experimental, feito em células, a partir de um estímulo agudo de exercício. Ainda assim, os achados ajudam a iluminar um mecanismo plausível por trás de algo que já observamos na prática clínica e epidemiológica.

A resposta parece estar nesse diálogo silencioso entre músculo, sangue e célula tumoral. Um diálogo bioquímico, sofisticado, que acontece o tempo todo, sem que a gente perceba.


Talvez o mais interessante seja justamente essa mudança de perspectiva. Exercício deixa de ser apenas gasto calórico ou disciplina e passa a ser informação circulando pelo corpo. Informação que alcança lugares inesperados, inclusive o DNA.

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