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Ciência para o Dia a Dia

O que o novo guia alimentar dos EUA revela quando comparado ao brasileiro

Por que os EUA estão revendo a pirâmide alimentar enquanto o Brasil aposta na comida de verdade

Ciência para o Dia a Dia|Camille Perella CoutinhoOpens in new window

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Por que o Guia Alimentar brasileiro é citado como exemplo internacional Imagem Gerada por AI

Por muito tempo, falar de alimentação saudável parecia um assunto resolvido. Comer frutas, legumes, arroz, feijão, evitar ultraprocessados. Mas 2026 começou com um movimento curioso nos Estados Unidos, a publicação de uma nova versão oficial do Dietary Guidelines for Americans, que resgata a ideia da pirâmide alimentar e muda de forma relevante o foco das recomendações.

É seguro afirmar que o Guia Alimentar para a População Brasileira é um dos mais reconhecidos internacionalmente e frequentemente citado como referência global em políticas de alimentação e nutrição. Ele é elogiado por organismos internacionais e por pesquisadores por ir além de nutrientes isolados e incorporar a ideia de sistemas alimentares, grau de processamento e cultura alimentar.


O guia brasileiro ficou conhecido justamente por essa escolha ousada. Em vez de organizar a alimentação a partir de proteínas, carboidratos ou gorduras, ele propõe olhar para o quanto o alimento foi processado. A base da alimentação deve ser formada por alimentos in natura ou minimamente processados, como frutas, legumes, verduras, arroz, feijão, ovos, leite e carnes frescas. Já os ultraprocessados não aparecem como uma opção eventual ou aceitável no dia a dia, mas como algo que deve ser evitado, pelo impacto que têm sobre a saúde, o consumo excessivo e a relação das pessoas com a comida.

Mais do que isso, o guia brasileiro trata a alimentação como prática social. Fala de cozinhar, comer junto, respeitar a cultura alimentar, proteger sistemas alimentares locais e considerar o impacto ambiental. Comer bem não é apenas uma decisão individual, é também uma construção coletiva e um direito.


Já o novo guia americano parte de um diagnóstico duro. Mais de 70% da população adulta vive com sobrepeso ou obesidade, e a maior parte dos gastos em saúde está ligada a doenças crônicas. A resposta proposta é um retorno ao que eles chamam de “comida de verdade”, com forte ênfase em proteínas, inclusive de origem animal, laticínios integrais e gorduras consideradas saudáveis.

A nova pirâmide coloca proteínas e laticínios no topo, recomenda ingestões proteicas mais altas e reduz o protagonismo dos carboidratos, especialmente os refinados. Grãos aparecem, mas com menor destaque, enquanto os ultraprocessados são apontados como um dos principais problemas da dieta moderna.


Apesar das diferenças, existe um ponto de convergência importante entre os dois guias. Ambos reconhecem que o grande problema da alimentação atual não é um nutriente isolado, mas o excesso de alimentos ultraprocessados.

E aqui entra um ponto central. Alimentos in natura e minimamente processados não são apenas menos industrializados. Eles são matrizes alimentares mais ricas, formadas por fibras, vitaminas, minerais e uma série de compostos bioativos que atuam de forma integrada no organismo. Essa complexidade favorece maior saciedade, melhor controle glicêmico e respostas metabólicas mais equilibradas, algo que não se reproduz quando olhamos apenas para nutrientes isolados.


Frutas, legumes, verduras e outros alimentos frescos entregam estrutura, volume e sinais fisiológicos que ajudam o corpo a regular quanto e quando comer. Já os ultraprocessados são formulados para serem extremamente palatáveis. Combinações de açúcar, gordura, sal e aditivos estimulam o consumo contínuo e reduzem os sinais naturais de saciedade. Isso não é falta de força de vontade, é engenharia alimentar.

Na teoria, o ideal seria que todas as pessoas tivessem acesso fácil a acompanhamento nutricional individualizado. Na prática, essa não é a realidade da maioria dos brasileiros. Por isso, orientações simples continuam sendo importantes. Na dúvida, optar por alimentos in natura é um caminho seguro. Priorizar carnes brancas e magras, aumentar o consumo de frutas, legumes e verduras, fazer compras em feiras livres sempre que possível e cozinhar mais em casa são estratégias alinhadas com a melhor evidência científica disponível.

Alimentação saudável não é moda, nem fórmula única. Ela depende de contexto, cultura, acesso e políticas públicas. Quando houver dúvida, voltar ao básico, comida de verdade, menos processamento e mais variedade, quase sempre é a melhor escolha.

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