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Ciência para o Dia a Dia

Orquídeas, ciência e futuro quando a pesquisa começa na escola

Projeto brasileiro reduz custos em até 87%, acelera o cultivo e leva estudante à maior feira científica do mundo

Ciência para o Dia a Dia|Beatriz Maria Ferreira dos Santos

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Desenvolvimento in vitro de orquídeas Acervo Pessoal de Beatriz Maria Ferreira dos Santos

As orquídeas encantam pela beleza, mas escondem um desafio pouco conhecido. Embora uma única planta possa produzir muitas flores, a formação de cápsulas com sementes é rara: de cada 100 orquídeas floridas, apenas 1 a 5 conseguem gerar sementes viáveis.

E, mesmo quando isso acontece, as chances de sobrevivência são mínimas. Cada cápsula pode liberar até meio milhão de sementes, mas apenas uma pequena fração consegue se desenvolver na natureza.


Isso ocorre porque as sementes de orquídeas não possuem reservas de nutrientes e dependem de condições muito específicas para germinar, como a presença de fungos micorrízicos no solo.

Esse cenário ajuda a explicar por que, apesar de pertencerem a uma das maiores famílias de plantas do mundo, muitas espécies estão ameaçadas de extinção.


Foi diante desse desafio que, ainda no ambiente escolar, nasceu o projeto DIO (Desenvolvimento in vitro de orquídeas), do qual participo no Colégio Estadual Jardim Porto Alegre, com orientação da professora Dionéia Schauren e coorientação de Leandro Marcelo Miglioretto.

Neste ano, o trabalho conquistou o 1º lugar na área de Ciências Biológicas na Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace), uma das maiores feiras científicas do país, que reúne estudantes de todo o Brasil.


Como reconhecimento, o projeto também garantiu a oportunidade de representar o Brasil na Regeneron International Science and Engineering Fair (ISEF), nos Estados Unidos, considerada a mais importante competição internacional de ciências e engenharia para estudantes pré-universitários.

Embora o cultivo em laboratório seja uma alternativa promissora, ele ainda enfrenta limitações importantes: os meios de cultura tradicionais são caros e, muitas vezes, de difícil acesso, o que restringe sua aplicação em larga escala.


Nesse contexto, surgem abordagens mais acessíveis, capazes de reduzir os custos em até 87%, ampliando as possibilidades de produção sem comprometer a eficiência do processo.

Além disso, o uso de extratos vegetais se destaca como uma estratégia promissora para estimular o desenvolvimento das plantas. Esses extratos aquosos são ricos em fitormônios e compostos bioativos essenciais, favorecendo o crescimento e o fortalecimento das mudas.

Considerando que uma orquídea pode levar de 3 a 10 anos para atingir sua primeira floração, essa abordagem contribui para acelerar o desenvolvimento e tornar o cultivo mais eficiente.

Assim, a proposta é tornar o cultivo de orquídeas mais acessível, rápido e viável em maior escala, contribuindo tanto para a conservação dessas espécies quanto para sua produção.

Enquanto métodos comerciais de cultivo in vitro podem chegar a custar até R$ 400 por litro, sem a adição de hormônios, o meio desenvolvido no projeto, aprimorado com extratos vegetais e mantendo viabilidade econômica, custa cerca de R$ 20 por litro.

Beatriz mora em Toledo, no Paraná, e estuda em um colégio estadual. Desde pequena, é movida pela curiosidade e encontrou na biologia seu principal interesse. Com o tempo, se aproximou da botânica e, especialmente, das orquídeas, que hoje estão no centro de seu interesse científico. Acervo Pessoal de Beatriz Maria Ferreira dos Santos

Mais do que resultados científicos, este projeto carrega um significado pessoal profundo. Ele abriu portas, despertou novos objetivos e tornou possível vivenciar experiências que antes pareciam distantes, como levar essa pesquisa para além do país.

Nesse sentido, a proposta vai além da eficiência técnica e mostra como a ciência, quando acessível, pode transformar trajetórias e contribuir para a construção de novos caminhos.

Quando entrei no clube de ciências, eu olhava para outros alunos com admiração, eram eles que me inspiravam a continuar, aprender mais e acreditar que eu também poderia chegar longe.

Foi com esse mesmo espírito que, sem grandes expectativas, decidi criar meu projeto no clube da minha escola. O que começou como algo simples, movido apenas pela vontade de fazer ciência, cresceu de uma forma que eu nunca imaginei.

Hoje, uma das coisas que mais me emociona é perceber que muitos alunos mais novos se inspiram em mim, assim como um dia eu me inspirei em outros. Ver esse ciclo se repetir reforça ainda mais a sensação de que estou no caminho certo.

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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