Perda de força muscular no envelhecimento pode estar sendo subestimada
Estudo brasileiro mostra como critérios de diagnóstico mudam quem recebe cuidado

Sarcopenia é uma palavra pouco conhecida fora da área da saúde, mas o problema que ela descreve é extremamente comum. Trata-se da perda progressiva de força e massa muscular com o envelhecimento, associada a quedas, perda de autonomia, hospitalizações e maior risco de morte. O desafio começa logo no diagnóstico, como saber quem realmente está em risco.
Um estudo brasileiro recente, baseado nos dados do ELSI-Brasil, analisou mais de sete mil pessoas com 50 anos ou mais e comparou dois critérios diferentes para definir fraqueza muscular, a partir da força de preensão palmar, aquele teste simples em que a pessoa aperta um dinamômetro com a mão.
Com os pontos de corte mais tradicionais, recomendados por consensos europeus, a prevalência de sarcopenia no Brasil parecia relativamente baixa. Mas quando os autores aplicaram pontos de corte mais altos, já associados ao risco de mortalidade em outros estudos, o cenário mudou de forma dramática. A prevalência de sarcopenia quadruplicou e a de formas graves praticamente dobrou.
Na prática, isso significa que milhares de pessoas consideradas “fora de risco” passariam a ser identificadas como tendo perda de força muscular relevante. Não porque ficaram mais fracas de repente, mas porque o critério mudou.
O dado mais interessante é que os fatores associados à sarcopenia permaneceram praticamente os mesmos, independentemente do ponto de corte utilizado. Idade avançada, baixa renda, sedentarismo, doenças crônicas como diabetes e osteoporose e, sobretudo, risco de desnutrição aparecem de forma consistente. O que muda não é o perfil, mas o tamanho do problema que conseguimos enxergar.
Quando os pontos de corte mais altos são usados, a relação entre desnutrição e sarcopenia grave se torna ainda mais evidente. Isso sugere que critérios mais sensíveis podem ajudar a identificar pessoas em risco antes que a perda muscular se torne irreversível.
Esse estudo chama atenção por um motivo simples, ele mostra que diagnóstico não é uma coisa neutra. A forma como colocamos os limites define quem entra no radar da saúde e quem acaba ficando de fora.
Talvez a pergunta central não seja quantas pessoas têm sarcopenia, mas quantas estamos deixando de enxergar por usar uma régua curta demais. Em saúde pública, medir melhor pode ser o primeiro passo para cuidar melhor.
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