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Ciência para o Dia a Dia

Por que quem tem intestino preso prefere comida a remédio?

Estudo mostra que quem vive com constipação confia mais na alimentação do que em remédios

Ciência para o Dia a Dia|Camille Perella CoutinhoOpens in new window

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Prisão de ventre não é frescura, e a comida tem muito a ver com isso Imagem Gerada por AI

Prisão de ventre ainda é tratada como piada, tabu ou algo banal. Mas quem convive com constipação sabe que o impacto vai muito além do banheiro. Afeta o humor, a rotina, a qualidade de vida e até a relação com a comida.

Um estudo recém-publicado no Journal of Human Nutrition and Dietetics mostrou que, ao perguntar algo simples e poderoso, o que as próprias pessoas com constipação acreditam que ajuda ou piora seus sintomas, trouxe respostas reveladoras.


Os resultados são diretos. Noventa e quatro por cento dos participantes acreditam que a alimentação tem papel central na constipação. E mais, quase nove em cada dez disseram que, se funcionasse bem, prefeririam mudar a dieta em vez de usar medicamentos. Não por moda ou desinformação, mas porque veem a comida como algo mais natural, com benefícios que vão além do intestino.

Quando essas pessoas foram convidadas a apontar alimentos que ajudam o intestino a funcionar melhor, alguns nomes apareceram com força. Ameixa seca liderou disparado, seguida por tâmaras, suco de ameixa, feijões e figos.


Alimentos ricos em fibras, sim, mas também com compostos fermentáveis e efeitos diretos sobre o trânsito intestinal. Fermentados como kefir e kimchi também apareceram entre os mais citados, o que mostra que a intuição popular anda bem alinhada com o interesse científico atual sobre microbiota intestinal.

Do outro lado da lista, os alimentos mais associados ao agravamento da constipação chamam menos atenção, como pão branco, cereais matinais açucarados, carnes processadas, bolos e produtos ultraprocessados. Nada muito surpreendente, mas é importante notar que isso não veio de um laboratório, veio da experiência real de quem sente o efeito no corpo.


Um dado curioso é que, em média, as pessoas relataram muito mais alimentos que ajudam do que alimentos que atrapalham. Isso diz muito sobre como quem convive com constipação passa anos testando estratégias, observando o próprio corpo e criando um repertório alimentar de sobrevivência intestinal.

O estudo também mostra que a maioria dos participantes acha que ainda falta pesquisa de verdade sobre alimentação e constipação, especialmente estudos que olhem para padrões alimentares completos, e não apenas para suplementos ou cápsulas milagrosas.


Além disso, o que essas pessoas querem ver melhorado não é só a frequência das evacuações, mas sintomas como esforço para evacuar, sensação de esvaziamento incompleto, desconforto abdominal e impacto na qualidade de vida.

A ciência muitas vezes mede o que é mais fácil de medir, como o número de evacuações por semana, enquanto as pessoas querem aliviar o que realmente incomoda no dia a dia. Quem vive com constipação não está esperando uma solução mágica. Está buscando estratégias possíveis, acessíveis e sustentáveis.

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