Por que a proteína vegetal não é igual para todo mundo?
Estudo com adultos saudáveis mostra que aumentar o consumo não gera a mesma resposta em todos os organismos
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Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Um estudo recém-publicado na revista Food & Function mostra que, mesmo em adultos saudáveis, o intestino não responde de forma uniforme ao aumento do consumo de proteína vegetal.
Conduzida por Samira Prado, Robert J. Brummer e colaboradores, a pesquisa acompanhou voluntários que passaram a consumir doses progressivamente maiores de proteína isolada de ervilha ao longo de algumas semanas, sem mudanças relevantes no restante da dieta ou no estilo de vida.
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A proposta foi observar, com mais detalhe, o que acontece no intestino quando a carga proteica aumenta. Em parte dos participantes, houve elevação da calprotectina fecal, um marcador associado à inflamação intestinal, ainda que em níveis baixos e sem indicação de doença.
Em outros, esse marcador permaneceu estável e surgiram respostas consideradas positivas, como maior produção de ácidos graxos de cadeia curta, compostos importantes para a saúde da mucosa intestinal.
Também foram observadas mudanças na microbiota. Algumas bactérias aumentaram, como Limosilactobacillus e Odoribacter, enquanto outras, incluindo determinadas Bifidobacterium, diminuíram.
Os resultados não apontam para uma divisão simples entre bactérias boas ou ruins, mas reforçam a ideia de que o intestino funciona como um ecossistema complexo, sensível à quantidade, ao contexto e à individualidade.
Como resume a autora principal do estudo, Samira Prado: “No nosso estudo, observamos que, mesmo em pessoas saudáveis, o intestino pode apresentar sinais mensuráveis de como o corpo está respondendo à dieta, e que essa resposta varia de indivíduo para indivíduo. Isso reforça a nutrição de precisão, em vez de presumir que a mesma mudança alimentar terá o mesmo efeito para todos, podemos identificar perfis de resposta. O próximo passo é validar esses sinais em coortes maiores e com acompanhamento ao longo do tempo, para entender como eles se traduzem em recomendações aplicáveis na prática”.
Nada disso transforma a proteína vegetal em vilã, nem invalida dietas à base de plantas. Mas o estudo ajuda a desmontar uma ideia confortável, a de que escolhas consideradas saudáveis funcionam da mesma forma para todo mundo.
Na prática, o aumento do consumo de proteína vegetal costuma vir acompanhado de alimentos ultra processados, e entender como cada organismo responde pode ser tão importante quanto a escolha do alimento em si.
Vale destacar que Samira Prado é brasileira, embora a pesquisa tenha sido realizada com apoio e financiamento internacional.
O trabalho contou com recursos da Örebro University Food and Health e da agência sueca FORMAS, foi desenvolvido no âmbito do PAN Sweden Research Centre e teve suporte técnico da Clinical Genomics Örebro e do Science for Life Laboratory.
A proteína isolada de ervilha utilizada na intervenção foi fornecida pela empresa Lantmännen, e os estagiários envolvidos receberam apoio dos programas DAAD e ERASMUS, reforçando o caráter colaborativo e internacional do estudo.
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