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Ciência para o Dia a Dia

Rótulos de advertência mudam a forma como os brasileiros veem os alimentos

Implementada em 2022, a política já influencia a intenção de uso dos rótulos e pode apoiar a prevenção de obesidade, diabetes e hipertensão

Ciência para o Dia a Dia|Isabel Costa Sousa

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A rotulagem nutricional frontal (RNF) foi implementada no Brasil em outubro de 2022 para ajudar consumidores a escolher produtos mais saudáveis.
  • Um estudo mostrou que a RNF aumentou a percepção de risco dos consumidores em relação a produtos com altos teores de açúcar, sódio ou gordura saturada.
  • Após a implementação, muitos consumidores passaram a ver a RNF de forma positiva, o que influenciou suas escolhas alimentares.
  • A RNF é vista como uma ferramenta importante para a saúde pública, ajudando na prevenção de doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) e na promoção de hábitos alimentares saudáveis.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

No mercado, escolha produtos com rótulos simples, ingredientes que você entende. Quanto menos nomes difíceis, melhor para você.

A rotulagem nutricional frontal (RNF) mostra, de forma clara e simples, quando um alimento tem altos teores de açúcar adicionado, sódio ou gordura saturada. Implementada no Brasil em outubro de 2022, a RNF ajuda os consumidores a escolher produtos mais saudáveis e contribui para a prevenção de Doenças Crônicas não Transmissíveis (DCNT) relacionadas à alimentação, como obesidade, diabetes e hipertensão.

Um estudo conduzido por mim e liderado pela Profª Dra. Elke Stedefeldt e pela Profª Dra. Raísa Moreira Dardaque Mucinhato, com colaboração do Prof. Dr. Diogo Thimoteo da Cunha, avaliou como a implementação da RNF o Brasil afetou a percepção de risco dos consumidores em relação ao desenvolvimento de DCNT.


Além de analisar os fatores que influenciam a intenção das pessoas de usar a RNF para fazer escolhas alimentares saudáveis, comparando resultados antes (2022) e depois (2024) da política. Participaram mais de 1.100 consumidores do estado de São Paulo.

Observamos que, após a implementação, os consumidores apresentaram percepção de risco maior em relação aos produtos com RNF, passando a considerá-los menos saudáveis e potencialmente prejudiciais, o que pode favorecer a redução do consumo de ultraprocessados e a prevenção de DCNT.


Além disso, nas duas fases da pesquisa, muitos consumidores tiveram dificuldade em identificar alimentos ricos em nutrientes críticos sem a presença da RNF, apesar de reconhecerem que o excesso desses nutrientes aumenta o risco de DCNT.

Isso evidencia uma lacuna entre conhecimento e prática, reforçando o papel da RNF como ferramenta para distinguir alimentos saudáveis de não saudáveis.


Isabel Costa Sousa é Mestre em Ciências e Nutricionista formada pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Atualmente é membro do Grupo de Estudos sobre Risco e Resiliência em Segurança dos Alimentos (GERRSAL) e do Observatório de Rotulagem de Alimentos (ORA) ambos da UNIFESP.

Também investigamos fatores que influenciam a intenção de usar a RNF. Após a entrada em vigor da política, enxergar a RNF como algo positivo fortaleceu a intenção de utilizá-la para fazer escolhas alimentares saudáveis, possivelmente em decorrência da maior clareza e visibilidade proporcionadas pelos rótulos de advertência.

O conhecimento sobre nutrição também passou a ter um papel mais forte na intenção de uso, mas passando por outros processos cognitivos. Em outras palavras: quanto mais as pessoas sabiam sobre nutrição, mais elas conseguiam reconhecer quando um produto poderia aumentar o risco de DCNT, e isso as deixava mais propensas a enxergar a rotulagem como algo positivo e querer usá-la para escolher os alimentos.


Esses resultados mostram que a RNF não é apenas uma medida técnica, mas uma ferramenta de saúde pública com potencial para melhorar hábitos alimentares e apoiar esforços de prevenção a DCNT, por meio de iniciativas de educação alimentar e nutricional que visem aumentar a efetividade da RNF e promover a alimentação adequada e saudável.

Nosso trabalho pode ser acompanhado nas redes sociais (Instagram @gerrsal e @ora.observatorio.unifesp)

Parte deste estudo foi financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

O Grupo de Estudos em Risco e Resiliência em Segurança dos Alimentos - GERRSAL também conta com fomentação da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo FAPESP.

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