Uma solução do interior da Bahia pode transformar a qualidade do café brasileiro
Se te entregassem uma xícara de café contendo toxinas relacionadas a lesões renais agudas, efeitos no fígado e aumento do risco de tumores, você se sentiria seguro(a) em consumir?
Ciência para o Dia a Dia|Kenisson Morais Brito
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Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

A cafeicultura é um dos pilares econômicos de diversas regiões produtoras, especialmente em países em desenvolvimento. No mundo, cerca de 30% da produção global vem do Brasil. Entretanto, a qualidade dos grãos é altamente dependente das condições pós-colheita.
Falhas no controle de umidade durante secagem e armazenamento criam condições ideais para o desenvolvimento de Penicillium spp., comprometendo a qualidade e a segurança do produto final.
O controle dessas contaminações baseia-se, majoritariamente, no uso de fungicidas sintéticos, cuja aplicação recorrente está associada à resistência dos fungos, que ficam mais fortes a cada aplicação, resíduos químicos nos alimentos, impactos ambientais e elevado custo para pequenos produtores. Diante disso, torna-se necessária a busca por alternativas eficazes, seguras e sustentáveis.
Seguindo essa urgência, nasceu o projeto AnisGuard, desenvolvido por mim na Escola SESI Anísio Teixeira, no sudoeste da Bahia, com orientação da professora Mª. Winne Katharine Souza Rocha e coorientação de Gislaine Amorim Santos. Sendo habitante de Barra do Choça, a terra do café, sempre busquei trabalhar com pesquisas que pudessem trazer retorno para mim e minha comunidade.
Após uma longa trajetória laboratorial, o trabalho teve grande reconhecimento neste ano. Conquistou o 1º lugar na categoria de Ciências Agrárias na Feira Brasileira de Ciência e Engenharia (FEBRACE), uma das maiores do país, sendo credenciado para participar da delegação brasileira na Regeneron International Science and Engineering Fair (ISEF), a maior feira pré-universitária do mundo, que este ano será sediada em Phoenix, Arizona.
O meu projeto, denominado AnisGuard, consiste no desenvolvimento de um biofungicida sustentável produzido a partir de extratos naturais obtidos das sementes de erva-doce (Pimpinella anisum), planta amplamente conhecida por suas propriedades bioativas na saúde humana.
A proposta do projeto é oferecer uma alternativa mais acessível, ecológica e economicamente viável ao controle convencional de fungos na cafeicultura, utilizando compostos de origem natural como ferramenta de proteção pós-colheita.
Além de seu potencial sustentável, o projeto também apresenta grande vantagem financeira: enquanto muitos fungicidas tradicionais possuem custo médio entre R$ 0,30 e R$0,45 por quilograma tratado, o AnisGuard apresenta custo estimado entre R$ 0,08 e R$ 0,12, tornando-se uma solução especialmente promissora para pequenos e médios produtores que necessitam de tecnologias mais acessíveis para preservar a qualidade de sua produção.

Mais do que um projeto científico, o AnisGuard representa a prova de que a ciência desenvolvida dentro de escolas brasileiras pode alcançar impacto internacional quando aliada à inovação e ao compromisso social.
Levar essa pesquisa ao cenário internacional significa não apenas representar minha cidade, escola ou meu estado, mas mostrar que jovens cientistas brasileiros têm potencial para contribuir ativamente com o futuro da segurança alimentar, da agricultura sustentável e da inovação científica mundial.
Nosso projeto teve apoio não só da escola SESI, mas também da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), Fazenda Ouro Verde, Catuaí Agrícola e a Gráfica Cybertech, além do apoio familiar e da comunidade de Barra do Choça, que acreditaram no meu potencial.
A ciência, quando nasce com propósito, ultrapassa o laboratório em que atuei. Ela transforma comunidades e protege economias. E foi exatamente acreditando nisso que o AnisGuard deixou de ser apenas uma ideia e se tornou um projeto com potencial de impacto real.
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