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Empréstimo pessoal atinge maior patamar de juros da série histórica, diz Procon-SP

Taxa média subiu 4%, e as diferenças entre os bancos superam 50%, segundo levantamento do instituto

Conta em Dia|Ana VinhasOpens in new window

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Alta de Selic tem impacto no aumento dos juros do crédito pessoal Edu Garcia/R7 - 04.09.2023/Edu Garcia/R7 - 04.09.2023

A taxa média de juros oferecida pelos bancos para o empréstimo pessoal atingiu 8,13% ao mês, em 2025, segundo pesquisa do Procon-SP. O que representa um acréscimo de 0,22 ponto percentual em relação à taxa média de 2024, que era de 7,91% ao mês.

É o maior patamar da série histórica de indicadores coletados pela Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor, iniciada em 1997.


De acordo com o órgão de defesa do consumidor, os juros dessa modalidade de crédito vêm atingindo níveis elevados após a limitação dos juros do cheque especial, estipulada pelo Banco Central em novembro de 2019.

Além disso, a alta também reflete a taxa básica de juros, a Selic, principalmente, do último ano. Atualmente, o indicador está em 15% ao ano.


Só em dezembro de 2025, ao considerar um contrato de 12 parcelas para empréstimo pessoal, a taxa média alcançou 8,35% ao mês, o que equivale a um aumento de 4,11% em relação à média de juros de 8,02% em janeiro do mesmo ano.

Variação dos juros Reprodução/Procon-SP

“As taxas de juros continuam altas e apresentam grandes disparidades entre as instituições financeiras, principalmente as do empréstimo pessoal”, afirma o Procon-SP em nota. Segundo o órgão, a diferença entre os bancos chega a 51,8%.


Comparativo entre os bancos

Variação entre as instituições Reprodução/Procon-SP

“Na prática, isso significa que o crédito virou um produto de luxo. Isso pesa diretamente no bolso das famílias”, alerta Fabricio Tonegutti, especialista em direito tributário pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e diretor da Mix Fiscal.

Tonegutti explica que, com os juros nesse patamar, o problema vira uma bola de neve. “A parcela começa a crescer muito rápido, a dívida fica se alongando e a família perde uma coisa que é muito importante, que é a capacidade de consumo ou a propensão marginal de consumo”, analisa do especialista.


Segundo ele, quando grande parte da renda vai para os juros, as pessoas têm menos dinheiro para comprar comida, roupa, trocar eletrodomésticos, enfim, para consumir os serviços

“Isso vai travando ainda mais a economia. Os juros altos apertam as famílias, as famílias consomem menos e as empresas vendem menos, porque a economia passa a crescer num ritmo muito muito mais lento”, acrescenta.

O que fazer

Para Tonegutti, o primeiro passo é entender que o empréstimo pessoal não pode ser tratado como renda extra. “Ele tem que ser a última alternativa e não a primeira”, adverte.

  • Outra coisa é que comparar a taxa virou uma obrigação. “O levantamento do Procon mostra que essa diferença entre as instituições de empréstimo pessoal é gigante. Isso pode representar milhares de reais a mais pagos no final do empréstimo.”
  • Outro ponto importante é sempre olhar o custo efetivo total. “Às vezes a taxa parece menor, mas tem tarifa, tem seguro embutido, enfim, tem algumas coisas que acabam tornando o empréstimo muito mais caro.”
  • Para quem já está na bola de neve dessas dívidas, o caminho é buscar uma renegociação.
  • Já que a gente tem diferenças tão grandes de taxas presente as instituições, buscar instituições que tenham essas taxas mais interessantes.
  • E se possível usar qualquer renda extra, agora a época de 13º, algum bônus, enfim, para reduzir o principal da dívida e não para assumir parcelas novas.

Expectativa

Se a inflação continuar controlada, a expectativa é que os juros comecem a cair gradualmente ao longo de 2026. Isso pode aliviar o crédito.

Ele adverte que o brasileiro precisa ficar mais consciente, mais cauteloso e mais atento ao custo real do dinheiro. “O juro alto não é só um número na economia”, conclui.

“Menos comida no prato, menos compras no carrinho do supermercado no fim do mês, menos fôlego para as empresas crescerem também. Então, diante disso, informação é a melhor proteção e entender o custo do crédito hoje é fundamental para proteger o bolso e para proteger o futuro das famílias.”

Histórico

Os juros elevados têm sido o instrumento da política monetária do Banco Central para segurar a inflação. Em 2025, o Copom (Comitê de Política Monetária) elevou a taxa Selic de 12,25% para 15%.

Entre os fatores que influenciaram as decisões do Banco Central estão as expectativas de inflação acima da meta, a desvalorização cambial, o aquecimento do mercado de trabalho, riscos externos e a necessidade de ajustes fiscais.

Além da Selic, o Procon-SP destaca que outros custos influenciam diretamente as taxas cobradas do consumidor, como despesas operacionais, carga tributária, inadimplência e margem de lucro das instituições financeiras. Esses elementos compõem o chamado spread bancário, que permanece elevado no país.

Orientações do Procon

  • O consumidor deve planejar o orçamento com cautela
  • Recorrer ao crédito apenas em situações de real necessidade
  • Comparar as condições oferecidas pelas instituições financeiras
  • Evitar o endividamento

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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