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Eduardo Olimpio

Aglutinação, aglomeração, alienação

Ano que nasce oficiosamente hoje promete de tudo um pouco, e não faltará ingrediente para as fortes emoções em variados campos 

Eduardo Olimpio|Do R7

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Ano-Novo
Ano-Novo Reprodução/Manual do Homem Moderno

Na sequência dos pronunciamentos e atos mais que manjados, feitos quando os calendários grifam dias importantes como Natal e Ano Novo, resta sabermos que o ano começou. Talvez não o do trabalho, do emprego, das 3 refeições ao dia, da vaga na escola pública e na creche, da água e esgoto percorrendo alvenarias e não tábuas e valas, da trivial tomada e do soquete de 110 volts revolucionando uma morada medieval nos confins destas terras brasileiras, da paz e do justo pedaço de chão para a agricultura familiar, do indígena e o devido respeito ao seu modo de viver, mas o da esperança de que esta pequena lista seja concretizada. Se parte for, já estaremos no lucro, mesmo a anos-luz do seu fim em si.

Fora esta inútil constatação, este 2022 (não haverá outro, aviso!) se inicia repleto de fatos, agendas múltiplas, coisas a ver, pensar, decidir, festejar, lamentar, sonhar, como sempre acontece em momentos que ainda estamos religando os motores próprios de nossas existências. Via de regra, os propulsores necessitam de combustível etéreo para nos mover adiante na vida. Só não esqueçamos dos descamisados, daqueles que nem na ‘banguela’ ladeira abaixo conseguem se mover, seja pela fome iminente ou por qualquer outra necessidade preexistente em sua subsistência.


Dentre as intestinas idas e vindas do presidente da República ao hospital que interrompem suas merecidíssimas férias praianas depois de um longo período trabalhando incessantemente em prol do Brasil, passando pelas enchentes e córregos que não entram de férias, o verdadeiro patriota nativo desta terra, que antes descolava grana para ir à Disney mas hoje virou o próprio Pateta, segue o fluxo na abençoada terra situada abaixo de tudo, pisado por um Brasil que está acima de tudo.

No seu caminho, eventos e mais eventos nos quais irá participar como operário ou frequentador pagante. Alguns ainda passíveis de cancelamento em locais variados por conta da pandemia como o Carnaval. Existem autoridades que não se dobrarão aos números financeiros nem às tradições e estão cautelosas quanto às inevitáveis aglomerações e pulos dos vírus de um corpo ao outro. Há pessoas contra e a favor da medida. Conta, a favor dos contra, uma espécie de salvo conduto dado pela vacinação, que libera parte da população para entoar os hits pelas ruas e clubes, becos e favelas, coberturas e inferninhos. Máscara, pra quê? A faceta favorável vê ainda a renda de cidades que dependem enormemente da festa para incrementar o PIB local, criando empregos temporários e movimentando a economia nos setores afins.


Ainda na música, Rock in Rio e Lollapalooza juntarão milhares de pessoas em torno de outros hits que não ‘mamãe eu quero’; se considerarmos como certos, o São João voltará com tudo depois de cancelado por causa do SARS-CoV-2 e carreará ao Nordeste dividendos...e variantes. Para arrematar este arretado ano, 2022 terminará com a eleição e a Copa do Mundo no Catar. mistas liberais tão modernos quanto.

Assim, atravessaremos este ano com emoções fortes pautadas por enchentes, desmoronamentos de encostas com prejuízos de toda ordem, berros pelos gols da seleção brasileira, debates eleitorais cada vez mais eletrônicos e menos esclarecedores, reboladas, tops descolados, santinhos dos candidatos nas zonas eleitorais, influencers de umbigo de fora, pandeiro, tamborim, guitarras, baixos, pés descalços (de forma voluntária ou não).

Tudo junto e misturado, segue o fluxo.

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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