Informação que vale ouro

Trilhas do saber que acessam novas ideias e conceitos retrabalham repertórios, recriam e fortalecem opiniões

Somos expostos a milhares de dados todos os dias; é preciso saber escolher suas fontes

Somos expostos a milhares de dados todos os dias; é preciso saber escolher suas fontes

ThisIsEngineering/Pexels.com

Quem já ouviu a frase-questão: opinião!? Todo mundo tem uma. Isso significa, de fato, o que está escrito, ou seja, que todas as pessoas que conhecemos e as que não conhecemos, provocadas ou não pelo diálogo ou demais rodas de comunicação, emitem seus pareceres sobre tudo o que lhes convier ou necessário for.

Uma vez dado um ponto de vista acerca de determinada coisa, seja lá qual for a tal, podemos nele ter uma indicação razoavelmente clara de quem o produz. Traduzindo, há traços inegáveis da personalidade de quem diz o que pensa sobre algo ou alguém.

Este fato é naturalmente bom e ferramental quando queremos saber uma perspectiva além da nossa própria para, por exemplo, ajudar na tomada de uma atitude, ou esclarecer algo que pouco conhecemos ou dominamos. Assim, a opinião do outro, quando devidamente absorvida por nós e trabalhada internamente com o nosso repertório preexistente, auxilia nossa capacidade de agir, de pensar e, quando soma, quase automaticamente gera uma espécie de terceira via, uma explanação que mescla algo que já tínhamos com o que chegou e misturou ou acrescentou, mudando a matriz quase sempre para um melhor posicionamento.

Essa pequena constatação busca uma reflexão que está na base de tudo, que é a fonte de onde escoa um novo conhecimento que chega até nós. Cada vez mais as usinas de informação se diversificam num cenário altamente povoado por facilidades tecnológicas e aparelhos que nos conectam e, pela sua facilidade de uso e natural sedução eletrônica com multicores e movimentos, acabam se impondo, perigosamente num primeiro e raso instante, como padrão de significado, com formatos quase que definitivos e conteúdos idem.

Não seria por si só uma barbárie se estivéssemos num ambiente saudável de ensino e aprendizado. Não me refiro às escolas e sim ao manuseio constante que fazemos das novas ideias que pipocam em nossa frente o tempo todo. A circunstância não se traduziria em um problema, e não desejo pré conceituar nada aqui, mas há de fazermos um mínimo esforço para analisar o tipo usualmente mais circulante de informação pelos meios a fim de sabermos sobre sua qualidade, intenção por detrás de sua narrativa e propósito. Aceitar como verdadeiro, justo, honesto, pacífico e bom qualquer conteúdo sem checar, traçar paralelos, consultar opções e se perguntar se faz algum sentido lógico o novo é lançar-se, sem nenhum sistema de segurança, ao espaço vazio.

Todo mundo tem direito de ir e vir com os próprios meios de locomoção assim como acessar canais de televisão e do Youtube, emissoras de rádio, redes sociais, portais de notícias e seus podcasts e manchetes nas homes, aplicativos de mensagens/comunicação pessoal/comercial e periódicos impressos em geral sem esquecer dos ouvidos e olhos no entorno para captar, passivamente, recortes de conversas pelos corredores, no transporte público, na fila do pão ou, mais atual, na da vacinação, na mídia do elevador e na rara parada em frente à banca de jornal para ler as capas. Acabamos absorvendo novos conceitos, novas teses sobre o que sabemos, novas explicações em cima daquilo sedimentado em nós.

No geral, isso é muito bom. Nos alavanca e instiga a desconhecidos voos em direção a um inédito saber. O que devemos nos atentar é que tudo na vida é um aglomerado de dados, e aprender a escolher suas fontes de informação é tão importante quanto fazer compra no supermercado. Se a farinha estiver vencida ou vier de um trigo ruim, a barriga vai sucumbir. Se o dado coletado pelos nossos dois dos principais sentidos for de péssima origem ou de baixa qualidade, a cabeça vai perecer.

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