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Eduardo Olimpio

O atendimento ao bem-estar social

Competências ‘de mercado’ salvam vidas em parceria com o poder público

Eduardo Olimpio|Do R7

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O papel das entidades não governamentais, da sociedade civil e das igrejas é e continuará extremamente importante para salvaguardar nossas necessidades
O papel das entidades não governamentais, da sociedade civil e das igrejas é e continuará extremamente importante para salvaguardar nossas necessidades

Há cerca de 3 décadas o Brasil começou a se dar conta de uma experiência que, em países desenvolvidos como os Estados Unidos ou na Europa, 20 anos antes já estava entranhada na cultura assistencial de diversas sociedades com relação a suas demandas sociais como educação, saúde, meio ambiente, esportes e moradia.

Esta prática, chamada de Terceiro Setor, cuja existência está baseada na responsabilidade social promovida principalmente pelo setor privado da economia (indústria, comércio e serviços), é justamente a camada da sociedade civil que atua socialmente em áreas onde os governos (e o Estado, na ponta) não conseguem dar conta das políticas de bem-estar social, seja por incompetência ou falta de recursos. Assim, mesmo sendo originária na área de empreendimentos empresariais, o caráter que move, faz rodar, articula e promove o TS é de caráter e interesse público.


Organizado em institutos, fundações, associações ou quaisquer outras entidades sem fins lucrativos, o empresariado costuma colaborar, pela essência de sua atividade comercial, em uma frente de gestão de projetos sociais para mantê-los vivos e atuantes como ‘locais’ de políticas sociais, muitas delas em substituição pura e simples do ente público ou em parceria com ele.

Dentre os conhecimentos adquiridos e de relevância para esta atuação mais profissionalizada está a captação de recursos para bancar os projetos. Uma vez arrecadado e canalizado como doação de forma transparente e num fluxo constante, o dinheiro serve para o pagamento de insumos e dos trabalhadores que exercem as devidas tarefas nas entidades, que ainda contam com um inestimável e incentivado trabalho voluntário, outra característica da composição do Terceiro Setor. As entidades que o compõem não podem visar o lucro, devem ser legalmente constituídas e ter uma administração preferencialmente independente de sua origem empresarial patrocinadora.


Costuma-se dizer, com razão, que o trabalho entregue por Organizações Não Governamentais se tornou, em inúmeros casos e lugares do Brasil e do mundo, essencial. E para além das ONGs existem ainda as Organizações Religiosas, cujo trabalho que prestam à população é de fundamental importância quando se destacam aspectos moralmente inaceitáveis aos olhos dos direitos humanos como falta de comida, de moradia ou serviços de saúde física e psicológica. As igrejas, das mais variadas denominações, também atuam muitas vezes em espaços onde sequer tenha sido despertado qualquer interesse humano no resgate e manutenção de algum nível de cidadania como, por exemplo, em presídios.

Com a falência de políticas estatais, a iniciativa privada acabou ‘adotando’ um caráter público quando passou a se dedicar de fato para fazer chegar aos necessitados toda sorte de serviços de direito que até então não existiam. Projetos ambientais e sociais replicados país afora simbolizam a força do trabalho de milhares de pessoas para que milhões de outras tenham minimamente garantidos seus mais básicos bens (materiais, intelectuais, de saúde).

Em países como o Brasil, o combate à corrupção e eleições mais qualificadas tendem a nos dar uma esperança maior quando analisamos o Estado que queremos e temos o direto de ter como cidadãos. Mesmo assim, com as dimensões físicas e multiplicidade de modos de viver e de problemas sociais, não haverá Estado suficiente para dar conta de tudo que necessitamos como nação. Por isso, o papel das entidades não governamentais, da sociedade civil e das igrejas é e continuará extremamente importante para salvaguardar nossas necessidades, que são muitas e praticamente inesgotáveis.

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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