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Eduardo Olimpio

O prazo do consumo à vista

Adquirir bens revela muito mais do que só ‘ir às compras’

Eduardo Olimpio|Do R7

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Adquirir mercadorias supérfluas em escala exponencial e sem a medida da razoabilidade, impacta a sanidade mental toda a cadeia produtiva
Adquirir mercadorias supérfluas em escala exponencial e sem a medida da razoabilidade, impacta a sanidade mental toda a cadeia produtiva

O Século 20 foi atípico em muitas características que hoje norteiam a vida da gente. Em quaisquer campos de análise que façamos, esse pequeno intervalo de 100 anos da história do homem no planeta alterou, de forma irreversível e única no tempo, a maneira como nos relacionamos com a saúde, o dinheiro, o transporte, a comunicação, o trabalho, o lazer, a fabricação de bens materiais, a família, a espiritualidade, a natureza, a cultura e o consumo. Por certo há mais sociologias que não me arriscarei a enumerar.

Esta e outras listas são variáveis no tamanho e na escala de estudo, com impactos próprios gerados para cada item quando tentamos medir sua influência sobre as pessoas. Entre estes está o consumo, campo de pesquisa cada vez mais sofisticado, com ciências como a matemática e a psicologia, dentre outras, a espiarem sua multiplicidade de dados gerados, efeitos percebidos e prognósticos variados, sempre em busca de repostas, soluções ou mesmo o puro conhecimento em cima desta atividade humana ancestral.


Nesta rápida passada por regras e características, qualquer mortal percebe que há em curso uma escalada global gigantesca no consumo que acarreta, para além da aparente fria coleta de dados, danos grandiosos sobre aspectos que vão desde o meio ambiente e sua capacidade cada vez mais crítica em fornecer ou reprocessar matéria prima para a indústria de transformação/geração de bens de consumo ao campo da saúde física, mental e emocional de consumidores vorazes. Assolados pela maciça necessidade de se mostrarem pareados com um nível de vida mais abastado, compradores insaciáveis acabam por vezes entrando numa espiral consumista difícil de sair levando-os a um ‘elo perdido’, endividados, adoentados, nocivos até, a si e aos outros.

Consumimos desde o primeiro choro fora do útero até o último olhar antes de fechar para sempre as pálpebras. Se existe uma atividade humana da qual não se escapa é o consumo, que pode ser até involuntário, mas necessário à sobrevivência da espécie.


Então, por que gastar — verbo bom de usar em uma reflexão sobre consumo — recursos financeiros e tempo de profissionais das mais variadas áreas para estudar o fenômeno do consumo?

A resposta pode estar no fato de que há uma necessidade urgente de revermos nossos comportamentos quando vamos às compras. Com relação a adquirir coisas para saciar o plano do bem-estar pessoal que engloba onde morar, o que vestir, o que comer, nada a declarar. Também há o aspecto do automerecimento, passível de discussão acalorada. Agora, adquirir mercadorias supérfluas em escala exponencial e sem a medida da razoabilidade, impacta não só a sanidade mental e da conta corrente, mas toda uma cadeia produtiva que, se de um lado gera renda e gira a roda da Economia, do outro consome, sem dó nem piedade, tudo e todos.

A propósito, como foi de Black Friday?

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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