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Eduardo Olimpio

Um impeachment pelas vias populares

A falta da tolerância e da sabedoria no exercício do poder causa dor e é preciso debater a opção pela correção dos rumos no meio do caminho

Eduardo Olimpio|Do R7

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Recall seria uma boa alternativa ao processo de impeachment
Recall seria uma boa alternativa ao processo de impeachment

Intolerância e ignorância, entre outros traços indesejáveis mas fartamente encontrados nos que exercem algum poder privado ou público, são dos traços de personalidade e de status que acabam, natural e infelizmente, se destacando em sujeitos eleitos ou indicados. A história, a filosofia, a ciência e a literatura dão exemplos fartos destes indivíduos.

Quando uma pessoa assume um cargo de decisão no âmbito privado, é sensato que se espere um retorno desse investimento pessoal na forma da lucratividade e da imagem que uma empresa planeja alcançar em determinado tempo e nicho. Recursos financeiros para pesquisas, produtos, mercados, cadeia produtiva, logística e demais demandas da atividade econômica de natureza particular são passíveis de medição e, caso haja êxito nesta condução do capitão da nau, a roda da economia gira e todo mundo fica feliz, do investidor ao tesouro público, por meio da participação nos lucros e na arrecadação de impostos. Dificilmente gestores disfuncionais ou insensatos duram mais do que um curto tempo em seus postos. O mercado privado, para o bem ou para o mal, não para.


Se for no meio governamental, mais precisamente em posições de confiança da administração pública e partindo da ideia de que o bem dos cidadãos deve ser a baliza para alguém assumir uma cadeira e caneta que mirem a boa gestão do imposto recolhido, o indicado normalmente cuida de observar mais largamente o espectro político que aparece da sua janela além dos serviços essenciais pautados na lei. Falo aqui de interesses múltiplos que rondam chefes de gabinetes, de repartições, de secretarias executivas, legislativas e judiciárias e afins que, não necessariamente, atendem ou estão afinados com as reais demandas populares. É uma via de mão dupla que se retroalimenta. A máquina pública, para o bem ou para o mal, também não para.

No caso dos que foram eleitos, a coisa muda de figura. Tendo a achar que não deveria. Vamos lá. Considerando apenas os que se elegeram para o setores públicos da administração a fim de gerir recursos (prefeito, governador e presidente), propor leis, fiscalizar gestores e representar a população e os estados federados (vereador, deputado estadual, deputado federal e senador), ser ignorante, intolerante ou apresentar publicamente versões ‘irmanadas‘ a estas parece não afetar nem a autoestima de eleitores. Por exemplos mil, sabemos das dificuldades de camadas da sociedade darem-se conta de que optaram por um gestou/legislador sem um mínimo de preparo para o exercício da função.


Consequências? Inúmeras e desastrosas para o bem-estar comunitário e ao bom exercício da cidadania crítica e ativa. Pior quando olhamos para números de indicadores sociais que se traduzem, na prática, em fome, carestia material, constrangimento pessoal, submoradia, doenças sequenciais e infinitas, déficits educacionais marcados a ferro e fogo, violência criminal, economia concentradora de renda, ausência total de reflexão cultural, artística, patrimonial e histórica. A miséria não para.

Deveríamos discutir o recall, a possibilidade de retirar do mandato quem ‘vendeu e não entregou’, com mecanismos transparentes de manifestações de acusação e de defesa, garantindo assim que realmente o bem coletivo prevaleça sobre o individual nocivo ao desenvolvimento e a civilidade.

Não dá para uma imensa maioria numérica se submeter a qualquer devaneio que crie sofrimento a si pela simples falta de qualidades desejáveis em pessoas que, imbuídas de algum poder, elevam ou destroem nossas vidas sem que possamos nos defender. Deveria ser corriqueiro o desprovimento do poder a quem prova-se inapto, de fato. Faria muito bem e seria um bom recomeço do sistema de relações entre votantes e representantes destes.

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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