Um motor que nunca desliga
Assim como a respiração e o batimento cardíaco, a atividade política também é ininterrupta na vivência humana
Eduardo Olimpio|Do R7

Office-boy, diplomata, ambulante, economista, padeira, geneticista, eletrotécnico, juíza de direito, flanelinha, general, amolador de facas, filósofo, estudante, cortador de cana. O que une estas ocupações e todas... eu disse todas as outras, independentemente do sexo, idade, escolaridade, região de atuação ou cor da pele?
Antes de responder, deixo claro que, o que vou declarar aqui, em hipótese alguma esgota, delimita ou sentencia, dentro ou fora de qualquer dicionário ou tratado de ciências sociais, o(s) significado(s) da palavra que, por sua natureza e importância, a todos os ‘estados sociais do trabalho’ se faz presente.
Continuando: comprar um pão na padaria, dar bom dia ao primeiro que encontrar quando acorda, defender quaisquer direitos humanos e sociais, frequentar uma atividade individual ou coletiva de natureza diversa como um teatro, assistir aulas, ler um jornal, distribuir cesta básica, beijar, entrar numa fila, implementar uma ação pública que favoreça ou não uma população na qualidade de prefeito, governador, presidente, o que for.
Tudo, absolutamente tudo o que foi escrito e descrito até aqui é um ato político. É isso mesmo. Não há o que se possa pensar ou fazer em qualquer ação humana que não deságue na interação cotidiana entre as pessoas e estas com as instituições e os seus operadores - os sujeitos políticos eleitos, que sugerem leis a serem votadas nas casas parlamentares ou, se forem do Poder Executivo, administram o orçamento público e implementam as políticas de governo ou as aprovadas no Poder Legislativo.
A política não é algo feito ou construído quando a vemos do lado de fora da ideologia, do partidarismo ou do trabalho realizado pelos representantes do povo que debatem, fazem as leis e fiscalizam os governantes. Quando saímos do plano mais visível da atividade política institucional, digamos, nos deparamos com um fato: a política simplesmente acontece a cada ação nossa desde quando acordamos até pegar no sono novamente. Simples assim.
Institucionalmente falando, a variedade de atos políticos e suas intenções e finalidades, boas ou más, também mexe com nossas vidas, estando nós literalmente acordados ou dormindo, sem duplo sentido. Dependendo do que decidem no âmbito da política como um bem ou serviço público com o qual interagimos, ativa ou passivamente, arcaremos com deveres e direitos a serem exercidos diante do resto da sociedade e de seus arranjos e artifícios que, no limite, tentam moderar, modular e calibrar nossas mais variadas formas de fazer a tal interação social.
Exemplos? Poucos aqui, pois a lista não tem fim, mas pagar impostos, servir-se das redes públicas de saúde e de educação, manter uma política coletiva de segurança, ter saneamento básico, acesso à Justiça por força de uma lei perante à qual ‘somos todos iguais’, gozar de um meio ambiente saudável, se deslocar por uma rede funcional de transporte, combater a corrupção e demais males do ‘trato político/intestinal’ etc.
Há muito tempo o Homem vem teorizando sobre o que é a política. Dos pré-socráticos aos atuais catadores de latinha, voluntariamente ou não, ninguém de nós está a salvo dela. Que bom! Saber o quanto a política nos é útil e indispensável é a melhor forma de bem usufruirmos dela. São centenas de autores e explicações encontráveis nas bibliotecas e Wikipédia. Por certo, esses teóricos vão se encontrar em muitas faces iguais nas explicações, mas, naturalmente, se desencontrar em tantas outras.
O caminho do saber da política é, em si, também um ato político nos modos imperativo e hiperativo.












