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O que explica a falta de trabalhadores de TI no mercado brasileiro?

Descompasso entre formação e mercado, exportação de talentos e baixa infraestrutura tecnológica expõem o desafio do país

Gargalos do Brasil|Filipe Brandão, da RECORD

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • O Brasil enfrentou um déficit de 200 mil profissionais de TI, com necessidade de 665 mil e apenas 464 mil formados nos últimos seis anos.
  • Profissionais qualificados estão trabalhando remotamente para empresas estrangeiras, afetando o mercado interno.
  • A infraestrutura tecnológica brasileira é deficiente, com apenas 195 data centers, comparado aos 3.753 dos EUA.
  • O desafio principal é a falta de uma estratégia coordenada para inovação, não a ausência de talentos.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Quando comecei a apurar a reportagem sobre os gargalos da tecnologia no Brasil, uma cena me chamou a atenção: jovens que até pouco tempo trabalhavam como entregadores ou motoristas de aplicativo agora escrevem códigos e desenvolvem sistemas.

Ao mesmo tempo, empresas disputam profissionais como se estivessem atrás de um recurso escasso. O déficit de mão de obra em TI deixou de ser apenas um número, ele aparece na prática.


O bastidor que mais se repetiu nas conversas fora das câmeras foi a desconexão entre formação e mercado. O setor precisou de mais de 665 mil profissionais em seis anos, mas formou pouco mais de 464 mil.

E, mesmo entre os formados, muitos não chegam prontos. Some-se a isso um fenômeno silencioso: brasileiros altamente qualificados trabalham remotamente para empresas estrangeiras. Não saem do país, mas saem do mercado interno.


Um momento simbólico da gravação foi quando vi meu próprio rosto e minha voz serem recriados por inteligência artificial. A tecnologia impressiona, mas também evidencia o tamanho da estrutura por trás dela. O Brasil tem hoje 195 data centers; os Estados Unidos, 3.753.

Sem infraestrutura e investimento consistente em ciência, área que enfrenta cortes nas universidades federais, não há como competir em igualdade.


Ao fim da apuração, minha percepção mudou: o problema não é falta de talento, é falta de estratégia coordenada. A pergunta que fica é simples: o Brasil quer liderar essa transformação ou continuar correndo atrás? Porque inovação exige prioridade, não improviso.

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