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Em dez anos, Brasil perdeu 1,2 milhão de motoristas de caminhão

Entre riscos, baixos salários e falta de estrutura, profissão perde prestígio — e até filhos de caminhoneiros seguem outros caminhos

Gargalos do Brasil|Romeu Piccoli, da RECORD

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Em um país onde 63% das mercadorias são transportadas por rodovias não faltam cargas, malha viária, nem caminhões modernos. A escassez é de mão-de-obra e tende a piorar.

De 2015 a 2025 o número de motoristas habilitados a dirigir caminhões no Brasil caiu de 5,5 milhões para 4,3 milhões. Queda de 1,2 milhão em 10 anos. A resposta é simples e unânime entre todas as pessoas que conversamos. Faltam condições de trabalho e valorização do profissional.


Essa escassez de caminhoneiros no mercado seria impensável algumas décadas atrás. Mas a categoria perdeu glamour. A imagem do aventureiro que enfrenta a estrada para fazer o progresso brasileiro girar foi substituída pela do trabalhador marginalizado. Todos os motoristas que entrevistamos reclamaram de como são tratados nas empresas em que descarregam e nos pontos em que param para descansar.

Sempre houve uma certa relação de amor pela vida na estrada e ódio pelas dificuldades da profissão e do tempo longe da família. O problema é que hoje a lua de mel com o ofício dura menos. A sensação de liberdade ao volante tem sido sufocada pelo risco de roubo, falta de estrutura nas paradas e a pressão dos boletos.


O presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas de São Paulo, Marcelo Rodrigues, reconhece que é preciso pagar melhor e dar mais condições de trabalho e segurança aos caminhoneiros. Companhias que oferecem estrutura adequada e bons salários têm filas de interessados.

É preciso também investir na imagem da profissão. A cena do menino brincando com o caminhãozinho de brinquedo não é mais tão comum quanto já foi. A percepção dos mais jovens pelas dificuldades enfrentadas pelos mais velhos rompeu a tradição de famílias em que o amor pela vida na estrada passava de geração em geração.


O jornalista que vos escreve tem autoridade para falar sobre isso. Sou filho de caminhoneiro e nunca quis dirigir um veículo com mais de quatro rodas.

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