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Quanto custa a violência no Brasil?

Internações, afastamentos do trabalho e perdas humanas geram prejuízo bilionário aos cofres públicos

Gargalos do Brasil|Felipe Batista, da RECORD

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A violência no Brasil gera um custo elevado, com gastos em internações hospitalares que superam R$ 556 milhões entre 2015 e 2024.
  • O Atlas da Violência de 2025 revela que homicídios são a principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos, representando 34% das mortes nessa faixa etária em 2023.
  • Especialistas indicam que a violência é um problema econômico, já que jovens fora do mercado de trabalho geram prejuízos para a economia.
  • Estudos mostram que cada homicídio pode custar cerca de R$ 3 milhões aos cofres públicos, sem contar os impactos no PIB, que chegam a 2,3% anualmente.

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Como repórter no Rio de Janeiro durante sete anos, pude ver de perto o preço que a violência cobra dos moradores de uma das capitais mais violentas do país. Grande parte, se não a maioria, das milhares de histórias que cobri ao longo desse tempo, tinha algum tipo de violência envolvido. Bala perdida, assassinato, latrocínio, execução, operação policial, um tiro de raspão.

Como bom ouvinte, como manda a profissão, reparei que as vítimas, ou quem fazia parte do entorno delas, sempre se expressavam mais pelo olhar do que propriamente contando essas histórias. É que a violência também nos tira a fala. Custa muito caro.


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No Rio e em São Paulo, neste capítulo da série “Gargalos do Brasil”, nossas equipes fizeram plantões em hospitais movimentados, que recebem muitas vítimas de violência todos os dias. Sobretudo todas as noites. É onde a violência vira gargalo no país.

Os estudos mostram que, entre 2015 e 2024, a soma do gasto federal com internações hospitalares relacionadas a vítimas de arma de fogo, por exemplo, ultrapassou a marca de meio bilhão de reais: R$ 556 milhões. É uma média de R$ 56,6 milhões por ano. Dinheiro que poderia ser investido em outras áreas do país, inclusive na própria Saúde.


Na reportagem especial, analisamos o cálculo da violência por completo. Entra tudo nessa conta: o atendimento pelo SAMU, os primeiros socorros no hospital, a cirurgia, a internação, os remédios, a fisioterapia, além de todo o tempo afastado do trabalho. Um preço alto.

Em entrevista, Ângelo Vattimo, presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (CREMESP), relembrou que os pacientes vítimas da violência passam por muitos processos: “Não é que ele sai do hospital e vai trabalhar no dia seguinte. Envolve fisioterapia, dependendo da lesão envolve um afastamento, entra a seguridade social, que também é um custo que o Estado tem que bancar”.


O estudo do Atlas da Violência de 2025 mostrou que a morte violenta é a principal causa de óbito de jovens entre 15 e 29 anos no Brasil. Em 2023, 34% das mortes de jovens brasileiros foram consequência de homicídios.

Quando a gente analisa essa questão mais friamente, os especialistas enxergam a violência não só como um problema de segurança pública, mas também econômico.


Justamente porque essa faixa etária representa a maior força de trabalho do país. E esse público fora do mercado, mesmo que temporariamente, é sinônimo de prejuízo à Economia.

Morte violenta é a principal causa de óbito de jovens entre 15 e 29 anos no Brasil Freepik/@freepik

Um dos especialistas com quem conversamos também nos fez refletir sobre as muitas vertentes da violência. Daniel Cerqueira é pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e nos contou que a estimativa do órgão hoje é que, em média, cada homicídio custe cerca de R$ 3 milhões aos cofres públicos. Isso sem contar o gasto com bem-estar: “cerca de 2,3% do PIB a cada ano”, apontou Daniel.

O pesquisador acredita que a violência ainda é vista de forma errada pelas autoridades. “Na questão da segurança pública, existe algo que a gente chama de política baseada em evidências científicas. E só recentemente, alguns estados e municípios começaram a praticar políticas de segurança não na base da improvisação, do achismo, mas de um planejamento de curto, médio e longo prazo, olhando a ciência, o que funciona e o que não funciona”. Ele acha que estamos longe do caminho ideal.

Daniel Marçal, um desenvolvedor de software, é exemplo vivo de quem viu a violência de perto e sentiu na pele os prejuízos que ela traz. A vida dele mudou no dia em que foi baleado no pescoço durante um assalto, em São Paulo.

“Eu lembro do desespero da minha esposa ao me ver na maca, pensando: e agora, o que vai ser da gente? Dos nossos filhos?”, lembrou. Daniel lutou pela vida, quase ficou paraplégico e foi afastado do trabalho. Contraiu dívidas, perdeu R$ 50 mil, mas depois de muito esforço, ganhou o que não tem preço: a vida de volta no eixo. Mas ele sabe, todos nós sabemos, que nem toda vítima de violência tem o mesmo final.

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