A era do estresse afetando nossas relações sociais
Joel Rennó Jr|Do R7
Vivemos a era de conflitos e sofrimentos. Observo que as pessoas estão em pânico nesse momento ameaçador à vida em diferentes níveis. Somos vítimas há décadas de uma política sem nenhum tipo de planejamento prévio sistematizado e organizado na prevenção das diversas catástrofes e seus desdobramentos em saúde, moradia, segurança, meio ambiente e habitação.
No Brasil, infelizmente, nossos governantes não costumam adotar condutas, estudos e projetos preventivos desse tipo de catástrofe e nos deixam órfãos.
A cada ano estamos mais estressados e ansiosos com as dificuldades extras do dia a dia. E o que isso poderia prejudicar o nosso convívio no dia a dia com as pessoas? Estaríamos tendo um menor “fair play” com os semelhantes, nos afastando definitivamente das condutas solidárias e generosas? E isso é testado em sua plenitude nesses momentos agudos de crise.
Noto que o individualismo impera nas relações humanas de forma exacerbada. Tudo é possível desde que o meu território particular não seja incomodado ou até invadido pelo do vizinho.
Nas grandes crises é que podemos ter a oportunidade de conhecer o comportamento humano no seu extremo, principalmente quando esse sujeito é submetido a vários “gatilhos estressores” simultâneos. A capacidade de resiliência é individual e parece ter um componente genético além do ambiental.
Quando estamos estressados e nos sentimos ameaçados, a nossa prioridade torna-se a auto-preservação e a autodefesa exacerbada nesses momentos pode afetar até mesmo os nossos valores ético-morais, levando-nos à maior chance de trapaças.
Sei que a princípio tudo possa parecer exagerado, mas temos pesquisas atuais que caminham nessa direção. Obviamente que o comportamento humano é complexo e depende de vários fatores como personalidade, educação, cultura, estressores ambientais entre outros.
Vivemos em uma sociedade paranóica devido às várias pressões às quais somos todos submetidos no cotidiano. É essa sensação de ameaça constante que pode, em momentos de fragilidade, nos levar a comportamentos radicais e incoerentes aos nossos valores e perfil psicológico. E que atire a primeira pedra quem puder e se achar invulnerável.
Provavelmente, em situações de sensação de ameaça extrema somos provocados a uma defesa imediata do nosso self que parece prestes a se desintegrar. Isso deve ocasionar estragos no nosso aparato de julgamentos morais em geral. Posteriormente ao ato praticado, as pessoas estressadas até conseguem ter crítica sobre o ato equivocado praticado, mas o “gatilho” desencadeador do ato parte de uma situação em que o indivíduo extremamente ansioso não se percebe totalmente fora do seu eixo de equilíbrio. Quando estamos ansiosos, nosso sistema nervoso simpático nos inunda com noradrenalina, ativando os nossos caminhos de luta ou fuga- aqui o que vale é a sobrevivência a todo custo. E nessas horas nossos princípios humanos mais elevados podem se tornar secundários, não se levando em conta as distribuições justas ou de longo prazo que nos humanizam.
Por fim, essas novas descobertas não podem servir de justificativas para violações mais graves, como a vontade de prejudicar os outros, mas as pesquisas sugerem que estamos em um rápido caminho para esquecer as noções sublimes como "fair play" quando, é claro, nos sentimos ameaçados. Nos momentos de crise podemos ressignificar nossas experiências de vida de forma construtiva ou mostrar nosso lado egoísta de forma até perversa. E de que lado você está nessa hora de crise crônica coletiva?















