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Joel Rennó Jr

Tributo ao estimado Jô Soares: visão de um fã

Seja famoso ou anônimo todos nós merecemos ser homenageados pelo legado de nossos projetos humanitários ou sociais. Profissionais de diversas áreas que deixam esse fruto se eternizam, com obras grandes ou pequenas

Joel Rennó Jr|Do R7

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Confesso que costumo avaliar as pessoas não pelo sucesso e fama e sim pelo que elas priorizam do ponto de vista cultural, afetivo e social. O que importa para mim é o legado que elas deixam ao mundo e que será eternizado em suas obras, sejam elas grandiosas ou pequenas- isso não importa.

Na última semana, centenas de artistas e famosos que tiveram a oportunidade de conviver com o Jô Soares e serem seus amigos deram depoimentos marcantes e emocionantes a respeito do talentoso e multifacetado profissional que era exímio escritor, ator, diretor de teatro e cinema além de um mestre na área de entretenimento e entrevistas. Muitos exaltaram a figura humana correta , sensível e justa que ele desenvolveu em sua existência neste mundo.


Conheci e fui entrevistado honrosamente pelo Jô em 2004. Nessa época, eu tinha acabado de concluir minha tese de doutorado pela Faculdade de Medicina da USP sobre os efeitos da terapia de reposição hormonal no humor e cognição de mulheres na menopausa- coroando com a publicação na prestigiada revista internacional “Archives of Women’s Mental Health”.

Quando a produção do Jô me ligou, eu fiquei atônito embora feliz, era um médico jovem que não sonhava com um convite de tal relevância na minha incipiente carreira de dez anos de psiquiatria. A produtora da época me disse que o Jô tinha solicitado para me convidar porque tinha lido uma extensa matéria sobre tal tese publicada no Jornal Folha de São Paulo pela brilhante Claudia Collucci. A iniciativa de me convidar partiu dele, embora sequer me conhecesse.


Lembro-me de que alguns colegas médicos da USP me diziam para tomar cuidado porque o Jô além de muito inteligente e ágil poderia deixar o profissional inseguro por suas colocações certeiras.

Na véspera do programa, eu quase nem dormi tamanha ansiedade e expectativa. Senti-me como um astro porque a produção, em todos os níveis, era impecável com sua assistência antes, durante e após a entrevista. Até hoje guardo comigo a fita VHS do Programa que agora pretendo digitalizar para manter essa recordação pelo resto de minha vida em meu coração.


Eu, um anônimo, tive um super espaço na entrevista não apenas para falar de minha tese de doutorado como também para explicar ao público sobre os diversos transtornos mentais relacionados ao ciclo reprodutor feminino e seus avanços. Uma entrevista que duraria inicalmente 15 minutos durou meia hora no final das contas.

Durante a entrevista o próprio Jô Soares percebendo o meu nervosismo foi me descontraindo, fazendo gentis brincadeiras e me dando um tempo maior do que o previsto inicialmente pela produção. Ele foi se envolvendo com a temática e fazendo questionamentos que só alguém da inteligência dele conseguiria elaborar sendo leigo no assunto. Parecia até que tinha estudado sobre o tema.


Portanto, agradeço eternamente ao querido Jô Soares pela sua generosidade, como ser humano, com um jovem médico que estava mostrando ao mundo o fruto de um trabalho acadêmico de 54 meses de duração no total. Após o seu programa, o telefone do meu consultório não parou de tocar por semanas, demonstrando o impacto de um trabalho televisivo de alta performance e rica audiência. E como em 2004 pouquíssimos médicos estudavam a área de psiquiatria da mulher muitas novidades geraram perplexidade e curiosidade nos expectadores. Jô ao me instingar sobre o assunto na entrevista ofereceu essa oportunidade ao público fiel dele com maestria.

Muito obrigado querido Jô! Um beijo gordo de amor a você!

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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