VALE TUDO PELO CORPO PERFEITO?

Na procura pelo ideal de beleza socialmente imposto, as pessoas buscam ajuda em verdadeiras bombas de hormônios e dietas restritivas, além de serem vítimas de alguns profissionais de saúde eticamente questionáveis

As pessoas devem ter muito cuidado ao escolher profissionais para emagrecimento e procedimentos estéticos. As fontes de busca não devem ser as redes sociais e muito menos opiniões questionáveis de digital influencers sem gabarito para opinar sobre temas médicos. Cuidado também com clínicas médicas mercantilistas. Depois o dano à saúde é irreversível.

Dr Joel Rennó Jr

Buscar um corpo perfeito só faz sentido se não houver danos à saúde

Buscar um corpo perfeito só faz sentido se não houver danos à saúde

Pixabay

A busca por ideais de beleza e corpo perfeito têm posto a saúde de muitas pessoas em risco.

A todo instante, observamos dietas milagrosas, chips da beleza contendo hormônios que podem causar sérios danos físicos e mentais. O pior é que as redes sociais se tornaram o suprassumo de divulgações equivocadas por parte de modelos, artistas, digital influencers e até por alguns profissionais antiéticos da área de saúde que prescrevem medicamentos sem nenhuma evidência científica e com riscos que eles omitem nas informações que passam às pacientes. Infelizmente o poder mercantilista controla o mercado.

Como sempre questiono, opiniões leigas, independentemente de serem de famosos ou não, devem ser relativizadas ou até ignoradas pelos possíveis danos futuros à saúde das pessoas. Respeitosamente, que conhecimentos médicos tais personalidades possuem?

Algumas dietas “malucas” beiram a insensatez. Medicamentos psiquiátricos ou à base de hormônios masculinos são prescritos indiscriminadamente a algumas mulheres. Ou elas obtêm tais medicamentos em mercados paralelos ou até por indicações de algumas academias de ginástica questionáveis.

Determinados médicos (claro que sem generalizações), observando que grande parte dos seus pacientes obesos são ansiosos ou deprimidos, lançam mão de fórmulas “mágicas” contendo, provavelmente, antidepressivos, derivados de anfetamina, estabilizadores de humor e ansiolíticos — de forma aleatória —, e alguns, infelizmente, até sem alertar, enfaticamente, os seus pacientes sobre tais recursos terapêuticos. Outros, justificando-se pela necessidade de aderência terapêutica de tais pacientes, ainda mantêm os velhos inibidores de apetite, logo no início do tratamento misturados a remédios que controlam o diabetes. Nada contra o uso de tais drogas, desde que prescritas de forma correta e ética, com orientações precisas de seus riscos e benefícios a todos os pacientes. Há fórmulas com vários medicamentos prescritos e nem sequer o profissional orienta o paciente sobre o que cada droga significa.

Recentemente, uma profissional de saúde divulgou a “bariátrica hipnótica” em suas redes sociais prometendo reprogramar o subconsciente para eliminar o peso de forma rápida e natural, algo totalmente absurdo e sem nenhuma evidência científica séria. 

O mais recente despropósito e má-fé é o tal chip da beleza que de chip não tem nada e muito menos de beleza. O produto é um tipo de bastonete de 2-3 cm que possui uma bomba de hormônios que são colocados sob a pele das mulheres com a promessa de aumentar a massa muscular, a energia e a libido. Esse engodo vem sendo popularizado nas redes sociais por clínicas médicas inescrupulosas. Queixas comuns têm aparecido como aumento de pelos e do clitóris, acne, alteração de voz, sobrecarga do fígado e até arritmias. As principais substâncias desses bastonetes são testosterona e gestrinona, um esteróide que inibe a ação do hormônio feminino estrogênio. Incrível é que a gestrinona há décadas é página virada da medicina e ficam com essa atitude de risco à saúde das pessoas.

As pessoas precisam ter muito cuidado ao buscar um profissional da saúde. Não basta para sua análise curricular apenas atender a famosos (acho ridícula essa autopromoção pela fama dos pacientes que o profissional atende). É preciso pesquisar todas as suas qualificações e currículo em locais confiáveis, como sociedades de especialidade e nunca em redes sociais, que podem fornecer informações inverídicas e suspeitas.

A população não pode ficar refém de tais informações dúbias ou questionáveis, oriundas de artistas com intelecto e formação interrogáveis. Endocrinologistas, bem formados, titulados e éticos, pertencentes a universidades e associações idôneas, devem tomar providências sérias visando ao alerta sobre tais questões relevantes. Qualidade de vida se constrói com seriedade, correção humana e cientificismo.

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