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Luiz Fara Monteiro

Airbus A320 e Embraer E145 quase colidem no ar após decolagem nos EUA

Aeronaves decolaram simultaneamente e piloto do Airbus executou curva para o lado errado. Controlador de tráfego demorou para perceber o erro

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A320 da Volaris: curva para lado errado após a decolagem JTOcchialin via Wikimedia Commons

Duas aeronaves comerciais que decolavam simultaneamente das pistas do Aeroporto Intercontinental George Bush (IAH), em Houston, escaparam por pouco de uma colisão no ar depois que o piloto do Airbus executou uma curva para o lado oposto ao qual tinha sido indicado. A colisão só foi evitada porque o sistema de segurança do avião da Embraer emitiu o alerta aos seus pilotos e executou uma manobra evasiva. O Controle de Tráfego Aéreo, embora tenha emitido as direções corretas às aeronaves, demorou a perceber a situação. O incidente ocorreu no último 18 de dezembro e divulgado agora.

Airbus A320neo operando como voo N3-4321 da Volares El Salvador partiu do Aeroporto Intercontinental George Bush de Houston (IAH) com destino a San Salvador (SAL). Quase ao mesmo tempo, um Embraer E145 operado pela CommuteAir como voo UA-4814 da United Express (UA) partiu para Jackson (JAN).


O controle de tráfego aéreo autorizou a decolagem da aeronave da Volaris na pista 33L, e o jato da United Express partiu da pista paralela 33R aproximadamente 20 segundos depois.

Ambas as pistas estão alinhadas em um rumo de aproximadamente 330 graus, e os controladores de tráfego aéreo permitem decolagens paralelas nessas condições como prática padrão.


Gravações do controle de tráfego aéreo divulgadas pela VAS Aviation relataram que o Controle de Tráfego Aéreo (ATC) instruiu o voo da Volaris a executar uma curva à esquerda para um rumo de 110 graus após a decolagem.

O voo da United Express recebeu instruções para fazer uma ligeira curva à direita, assumindo um rumo de 340 graus. Esses rumos divergentes após a decolagem foram especificamente planejados para garantir a separação lateral imediata entre as aeronaves.


Ambas as aeronaves iniciaram suas corridas de decolagem praticamente ao mesmo tempo, com a tripulação do Volaris levando alguns instantes adicionais antes de iniciar a partida.

Apesar de terem lido corretamente a autorização, a tripulação do voo Volaris virou à direita em vez de à esquerda por engano, após a decolagem.


Esse erro direcionou o Airbus A320neo da Volaris diretamente para a trajetória de voo do Embraer E145 da United Express, colocando as aeronaves em rota de colisão.

Após iniciarem a manobra incorreta, os pilotos do Volaris contataram o controle de tráfego aéreo e perguntaram se deveriam virar à direita para um rumo de 110 graus.

O controlador reiterou a instrução correta, respondendo: “Jetsal 4321, sim, então curva à esquerda para 110”, aparentemente sem perceber que a aeronave já havia iniciado a curva errada.

Segundo o Aviation A2Z, os sistemas de radar já exibiam alertas de colisão, pois a aeronave se aproximava a uma distância próxima, tanto horizontal quanto verticalmente.

Carga de trabalho do controlador e reconhecimento atrasado

Apesar dos alertas de colisão ativos no visor do controlador, a ação corretiva imediata foi retardada. O controlador estava ocupado emitindo autorizações de decolagem e instruções para outras aeronaves, o que sugere um ambiente de alta carga de trabalho.

O primeiro reconhecimento claro, via rádio, de que um grave incidente de segurança estava ocorrendo veio dos pilotos da United Express, que anunciaram ter recebido um Aviso de Resolução, que é um alerta crítico e imediato do TCAS, um sistema de prevenção de colisão de tráfego aéreo. O dispositivo funciona com base nos “transponders” das aeronaves. Uma vez identificada a rota de colisão, o TCAS gera instruções e exigem que os pilotos sigam os comandos do sistema, mesmo que isso signifique ignorar as instruções do Controle de Tráfego Aéreo (ATC), se necessário, para garantir a separação.

Demora de reação do ATC

Mesmo com o alerta da tripulação do Embraer, o controlador respondeu com um “aguarde” e continuou gerenciando o tráfego aéreo geral antes de lidar com a emergência específica entre os dos jatos.

Segundo a OMAAT , o incidente destaca como a carga de trabalho do controlador, a priorização tardia e a fraseologia não padronizada podem agravar situações já críticas durante os horários de pico de operação. O controlador usou expressões não convencionais, como “vamos ver”, “vamos lá”, “vá em frente”, entre outras.

TCAS como a Última Linha de Defesa

A aeronave da United Express conseguiu evitar a colisão quando seu Sistema de Alerta de Tráfego e Prevenção de Colisões (TCAS) emitiu o Aviso de Resolução.

O TCAS opera independentemente dos sistemas terrestres e intervém quando todas as outras salvaguardas de separação falham.

O sistema primeiro alerta a tripulação emitindo Avisos de Tráfego e, em seguida, orienta ações evasivas imediatas.

Nesse caso, um Aviso de Resolução completo orientou os pilotos da United Express a realizar uma manobra vertical para aumentar o espaçamento entre as aeronaves.

Essas manobras podem ser bruscas e historicamente causaram ferimentos quando passageiros ou tripulantes não estavam usando cinto de segurança. No entanto, este incidente não causou ferimentos, provavelmente porque ocorreu logo após a decolagem, enquanto todos os ocupantes permaneciam com os cintos de segurança afivelados.

O incidente foi resultado de erro do piloto, e não de falha de comunicação. Tanto a instrução do controlador quanto a confirmação da tripulação do Volaris especificavam corretamente uma curva à esquerda. A falha ocorreu durante a execução do comando por parte do aviador do Airbus A320neo.

Isso aponta para uma falha na gestão de recursos da tripulação e na consciência situacional. Dado que a aeronave da Volaris decolou da pista da esquerda enquanto outra aeronave decolou da direita, a noção básica de espaço deveria ter reforçado a ideia de que uma curva à direita seria insegura.

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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